Autoridades se unem contra fechamento de vagas no Hospital das Clínicas

Situação foi relatada em matéria exclusiva do portal do Grupo Thathi de Comunicação; prefeito Duarte Nogueira não se manifestou

Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto - Foto: Divulgação

Dias depois de uma reportagem exclusiva do Grupo Thathi de Comunicação informar que mais de cem leitos corriam risco de ser fechados no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, a instituição foi alvo de uma série de ações de políticos e entidades da sociedade civil que objetivaram impedir a perda de vagas e também a reposição de pessoal. O Hospital tem 920 leitos, inclusos as unidade de Emergência e do câmpus da Universidade de São Paulo (USP).

A falta de pessoal, estimada por médicos e servidores em pelo menos 300 pessoas, tem feito com que, em média, 35% das cirurgias deixem de ser realizadas. Dos 21 centros cirúrgicos do hospital, sete estão fechados por falta de pessoal. A limitação atinge principalmente enfermeiros e anestesistas.

A situação mobilizou as forças políticas da cidade. O recém-empossado deputado Ricardo Silva (PSB) teve reunião, nesta terça-feira (18), com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para abordar a situação crítica do Hospital das Clínicas de Ribeirão. “O ministro já se colocou à disposição e abriu a agenda para receber, o mais breve possível, toda a direção do Hospital das Clínicas”. A reunião deve ocorrer na sexta-feira (21).

Verbas

Ainda na esfera federal, o deputado Alexandre Frota (PSDB) anunciou a destinação de emenda no valor de R$ 1,4 milhão ao Hospital das Clínicas. Já o deputado Baleia Rossi (MDB) informou que irá se reunir com a direção do hospital nesta semana para tratar do assunto, ressaltando que deve liberar uma emenda de R$ 5,8 milhões, aprovada em 2019, para a compra de um equipamento. 

O deputado estadual Rafael Silva (PSB) também teve audiência com o secretário adjunto da Saúde na qual discutiu o tema. Ele informou que o governo do Estado analisa opções para evitar o fechamento dos leitos. “Se uma pessoa morrer esperando uma cirurgia, por exemplo, já temos um prejuízo sem tamanho, sem preço. Pra tudo que envolve Saúde, temos que correr contra o tempo. E é isso que estamos fazendo”, ressalta Rafael.

Léo Olivera (MDB), deputado estadual, emitiu nota sobre o tema na qual promete buscar alternativas ao fechamento. O tema também foi debatido durante a sessão da Câmara, dominando boa parte da sessão legislativa desta terça-feira. Entre as autoridades municipais, a única que não se pronunciou publicamente foi o prefeito Duarte Nogueira (PSDB).

Área médica

Entidades da área médica também se manifestaram. O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), inclusive, não descarta a possibilidade de uma greve contra a redução do número de leitos. “A situação é muito grave e precisamos da união de todos os agentes políticos e da sociedade civil. O prejuízo pela falta de funcionários é irreparável”, disse, em entrevista ao programa Thathi Repórter. “Não vejo perspecitiva de melhora. Estão sucateando a saúde e o Hospital das Clínicas”, disse.

Edson Fedelino, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (SinSaúde), também se manifestou, informando que a entidade já iniciou as tratativas para pressionar por contratações. “Os servidores estão sobrecarregados e acabam expostos a uma situação de trabalho que está bem longe da ideal”, disse.

Outro lado

Em nota, o HC informou que, atualmente, há uma redução de pessoal em função de demissões voluntárias e aposentadorias. Entretanto, está em tratativas com o governo do estado para a reposição das vagas.

A Secretaria de Estado da Saúde comunicou que está em diálogo com o HC para auxiliar na garantia de assistência aos pacientes.

Nota

Nesta quinta-feira (20), a assessoria de imprensa do Hospital das Clínicas entrou em contato com a reportagem do Grupo Thathi e pediu a divulgação de uma nota de imprensa. Embora entenda que as críticas feitas não se apliquem à cobertura feita pelo Grupo Thathi, devendo, portanto, ser direcionadas aos veículos que cometeram erros de apuração, reproduzimos seu conteúde:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Notícias inverídicas, com base em informações de origem duvidosa, que vem sendo veiculadas na imprensa sobre o funcionamento do Hospital, vêm causando indignação e comprometendo a boa imagem da instituição. Frente a isso, a Administração do Hospital das Clínicas da FMRP-USP (HCFMRP) sente-se no dever de vir a público esclarecer:

– O HCFMRP é uma instituição pública estadual, que mantém Convênio com o Sistema Único de Saúde – SUS para atendimento de procedimentos de média e alta complexidade a pacientes de Ribeirão Preto, Franca, Araraquara e Barretos e respectivas regiões (cerca de 3.500.000 habitantes), bem como de outras regiões do Estado de São Paulo.

– Ao longo de 64 anos de existência, o HCFMRP conquistou prestígio e respeito da comunidade, em especial da população aqui atendida, pelos relevantes serviços prestados,  pelo nível de qualificação e dedicação de seus profissionais e pela tecnologia de ponta aqui desenvolvida, constituindo-se orgulho para Ribeirão Preto e Região.

– O HCFMRP, na qualidade de hospital universitário é um grande centro formador de recursos humanos para a área da Saúde, sendo responsável por treinamento de cerca de 4.600 pessoas, anualmente, que são absorvidas pelo mercado de trabalho. A perda de profissionais faz parte do perfil de uma instituição formadora de recursos humanos.  Entretanto, algumas vezes, o processo de reposição de funcionários demora além do desejável.

– Em que pesem as dificuldades enfrentadas pelo país, Estado e pelo próprio HCFMRP muitas das notícias veiculadas não refletem a realidade.  O HCFMRP tomou o cuidado de realizar estudos técnicos, discutir com a Secretaria de Estado da Saúde e com os demais órgãos governamentais, no sentido de buscar soluções que viabilizassem as reposições. Não efetuou nenhuma divulgação oficial à imprensa por entender que as tratativas estão bem encaminhadas e não seria prudente criar um clima de tensão e desconforto junto à população, tal como está ocorrendo agora.

– No entanto, o assunto foi levado à imprensa de forma irresponsável, à revelia da Administração do Hospital. Ademais, as reportagens veiculadas, nos últimos dias,  informam números que não são verdadeiros, ou seja: neste momento, o HCFMRP não tem 100 leitos fechados e nem definiu que seriam fechados mais 130 leitos, como se afirmou de forma leviana.

Há cerca de um ano o hospital implantou o Programa denominado “Hospital Semana” em várias enfermarias, que prevê o funcionamento integral dos leitos de 2ª. às 6ª. Feiras e o bloqueio parcial de leitos no final de semana. Dessa forma, ocorre melhor aproveitamento de recursos humanos e materiais, sem prejuízo aos pacientes. Pontualmente, para atender legislação específica relativa a recursos humanos em áreas críticas, cerca de 20 leitos têm sido bloqueados temporariamente.

– O número de cirurgias realizadas no Hospital nunca atingiu o número de 40.000 anualmente. A média de cirurgias realizadas no Campus entre 2015 e 2019 foi de 12.279, enquanto em 2019 este número foi de 11.168, uma redução de 9%, número muito distante dos 25% erroneamente informados à imprensa. Na Unidade de Emergência foram realizadas uma média 4502 cirurgias, sem redução significativa. Estes números não consideram as cirurgias ambulatoriais, que não envolvem a participação de médicos anestesiologistas. Importante registrar que o Bloco Cirúrgico do HC Campus, em nenhum momento, teve nove salas fechadas. Esta redução da produção cirúrgica decorreu do fechamento de 4 salas.

– Também é falsa a informação de que o HCFMRP tinha 7.000 funcionários e que agora teria apenas 5.000. A rigor, o Hospital nunca teve 7.000 funcionários e o quadro atual de funcionários é de 6.174 colaboradores, dos quais 22,5% são contratados pela Fundação de Apoio (FAEPA).

Afirmamos que temos mantido contato direto com os órgãos técnicos governamentais, com o apoio da Secretaria de Estado da Saúde, sendo que as tratativas  continuam bem encaminhadas para discussão em níveis superiores do Governo do Estado e acreditamos que, em breve, a situação estará equacionada.

Finalmente, para que não ocorra mais nenhum equívoco com informações inverídicas e imprecisas, que não correspondem à realidade e prejudicam a imagem do HCFMRP perante a população, esclarecemos que informações oficiais somente deverão ser fornecidas pela Presidente do Conselho Deliberativo e/ou Superintendente.

 

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