Morre Antoninho, a máquina de gols do Pantera

Benedicto Antonio Angeli faleceu aos 82 anos, vítima da Covid-19

Ex-jogador estava internado com Covid-19 Foto: Divulgação / Botafogo FC

Morreu, aos 82 anos, Benedicto Antonio Angeli, o Antoninho, na madrugada desta quinta-feira (3). Conhecido como um dos maiores atacantes da história do Botafogo, ele deixou sua marca no rol de melhores jogadores que já vestiram a camisa do time.

Antoninho estava internado com Covid-19 no Hospital Unimed e faleceu em decorrência de uma embolia pulmonar, causada por uma pneumonia bacteriana. Por volta das 2h30 da madrugada desta quinta-feira, Antoninho sofreu de uma falência múltipla dos órgãos e não resistiu. A morte foi confirmada pelo filho,  Regis D’ Angelis, na manhã desta quinta-feira. “Venho comunicar o falecimento do meu pai. Gostaria de agradecer todas as orações. Nada foi em vão, essas orações serviram para mostrar o quanto ele era querido por todos vocês. A vida continua, abraços a todos”, disse. 

Natural de Águas de Lindóia, Antoninho estreou no futebol na base do Palmeiras e, aos 19 anos, foi negociado para integrar o Botafogo, onde ganhou destaque e ficou registrado como um dos melhores da história do time. Na época, “liderava uma linha de frente memorável, até hoje apontada por muitos torcedores como a maior de todos os tempos e sempre na ponta da língua de botafoguenses de várias gerações: Zuino, Laerte, Antoninho, Henrique e Géo”, escreve Igor Ramos, no livro Botafogo, uma história de amor e glórias.

Tempos depois, o jogador foi negociado com a Fiorentina, da Itália, onde foi recebido como rei. Porém, ficou na Europa por apenas dois anos, pois “não queria ser obrigado a fazer o serviço militar italiano para obter a cidadania”, diz Ramos. Foi então que Antoninho resolveu voltar para o Botafogo.

Máquina de gols  

Antoninho entrou para o Pantera, após entrar na mira do time depois de um jogo contra o Palmeiras – time que integrava na época – e marcar dois gols contra o Botafogo. Foi nesta partida em que o jogador chamou a atenção do Tricolor, sendo negociado pouco tempo depois. 

Centroavante do Pantera, Antoninho integrou a equipe de ataque, até hoje conhecida como a maior linha de frente da história do time. Assim que entrou para o Pantera, mostrou que  era uma máquina de realizar gols. Em 1959, marcou seis logo no primeiro tempo contra o Guarani no Campeonato Paulista, já em 1960, fez 13 dos 34 marcados pelo Tricolor no mesmo torneio. 

Em outra ocasião, o jogador fez história com um dos gols mais bonitos da carreira, contra o Santos. “O Botafogo perdeu por 3 a 2 no Luiz Pereira. Foi um jogo super equilibrado, mas o que ficou marcado foi o gol do Antoninho. Ele fez um golaço, com um minuto de jogo. Deu um chapéu no Mauro, um chapéu no Gilmar e antes de a bola cair, dominou e fez o gol. Com um minuto de jogo ele fez tudo isto. Se tivesse a mídia que tem hoje, seria um gol reprisado todos os dias. No finalzinho perdemos”, contou o zagueiro Baldochi em entrevista a Ramos.

Legado 

Após deixar sua marca nos campos, em 1969 Antoninho deixou a camisa do time e passou a integrar a equipe de treinadores das categorias de base e do time principal.  Durante o período, indicou ao clube nomes como Paulo César Camassuti, Geraldão, João Carlos Motoca e Osmarzinho Já no final da década de 1970, o filho Régis de Angelis, também passou a fazer parte do Pantera. 

O filho do jogador foi volante da Ponte Preta e até campeão mundial sub-20, em 1983. Na época atuou com nomes como Bebeto e Mauricinho. Depois, seguiu os passos do pai, após deixar as chuteiras, e  seguiu a carreira no Botafogo como treinador na base e também como técnico e gerente do profissional

“O Botafogo representou tudo na minha vida esportiva. Foi o clube que me projetou no futebol nacional e internacional. Tenho muito carinho com essa camisa e por esse time”, disse Antoninho durante uma visita no Estádio Santa Cruz.

Último adeus 

Em nota, o Botafogo FC lamentou a morte do centroavante. “Lamentamos profundamente a morte do Antoninho, o maior artilheiro da história do nosso clube. Ele sempre honrou e levou o nosso clube no coração. Infelizmente, perdemos mais um grande botafoguense”, disse Osvaldo Festucci, presidente do Pantera.

O time desejou ainda forças para a família e amigos para passar por este momento de perda e decretou luto oficial de três dias em homenagem ao técnico e jogador.  “A diretoria do Botafogo presta os seus mais sinceros sentimentos de condolências à família e amigos e reza para que todos encontrem forças neste momento para superar essa triste perda”, disse. 

Zuíno 

Antoninho é o segundo da equipe marcante do Botafogo a falecer. Em 2019, o “ponta infernal” do maior ataque do time faleceu em em Goiânia, em decorrência de um infarto

Pai de duas filhas e natural de Caculé (BA), ele tinha 81 anos e jogou na equipe de Ribeirão Preto de 1959 a 1964. Zuíno integrou o que muitos consideram o melhor ataque da história do Pantera ao lado de Laerte, Antoninho, Henrique Sales e Geo.

Confira o papo entre Henrique Sales (esq), Zuíno (centro) e Antoninho (à dir)

Vídeo: Igor Ramos