Coderp fecha acordo e diminui dívida por não pagamento de impostos em R$ 36 milhões

Negociação foi comandada por Aurílio Caiado, que deixa a companhia e será Secretário de FInanças em Campinas

A Companhia de Desenvolvimento Econômico de Ribeirão Preto (Coderp) fechou, nesta quarta-feira (30), a renegociação da dívida da empresa com a Procuradoria da Fazenda Nacional por conta do não pagamento de obrigações. Com isso, o débito, que superava os R$ 88,4 milhões, foi diminuído em R$ 36 milhões.

“Essa dívida é parte do parcelamento feito em 2017 pelos anos sem recolher os tributos federais, nas gestões anteriores. A Coderp pagava parcela mensal de R$ 1,1 milhão, e, com o desconto, serão 12 parcelas de R$ 294,6 mil; 36 parcelas de R$ 947 mil e 24 parcelas de R$ 606,4 mil”, disse o presidente da Coderp.

Aurílio Caiado comemorou ainda o acordo, que, segundo ele, poderá dar um respiro financeiro à companhia. “Saio da Coderp com a certeza do dever cumprido e com esse golaço que ajudará muito a Coderp”, disse ele, que irá assumir a Secretaria de Finanças de Campinas.

Situação díficil

Aurílio Caiado, responsável pela Coderp – Foto: Divulgação

A situação da Coderp, entretanto, está longe de ser tranquila. Atolada em dúvidas e com um prejuízo que superou os R$ 8 milhões em 2019, a Coderp anunciou, em julho, seu Plano de Demissão Voluntária, que objetivou cortar funcionários para tentar viabilizar a empresa economicamente.

Com as readequações promovidas desde o início da gestão de Duarte Nogueira (PSDB), a Coderp passou de 217 empregados contratados para 145, uma redução de 72 profissionais. Já os terceirizados caíram de 27 para 11. No total, entre terceirizados e efetivos, foram 88 cortes.

Supersalários

Outro problema da Coderp foi revelado por uma reportagem do Grupo Thathi, em junho, que constatou que constatou que os salários pagos pela Coderp chegam a até quatro vezes os salários pagos por grandes empresas da iniciativa privada.

Um analista de sistema sênior, na Coderp, por exemplo, recebe até R$ 32 mil mensais. Na iniciativa privada, por exemplo, o valor para o cargo em grandes empresas, como Itaú e B3, fica abaixo de R$ 10 mil.

Apesar disso, Aurílio informou, ainda, que deixa a Coderp sem déficit e sem que a prefeitura precise aportar recursos na companhia, como faz mensalmente com o Instituto de Previdência dos Municipiários (IPM). “O déficit que a empresa tem é contábil e não financeiro. Isso, porque a prefeitura tem dívidas de exercícios anteriores, principalmente por trabalhos realizados antes de 2017”, disse.

Segundo o secretário, as notas fiscais já emitidas, mas não pagas no mesmo exercício, acaba sendo lançada como receita de outro ano. “Se esse dinheiro é usado no ano em curso, a receita fica menor que a despesa, contabilmente. Mas, financeiramente, nã há nenhum rombo a ser coberto”, garante.

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