Adolescente que teve perna amputada na luta contra o câncer consegue doação de prótese

Vítima de câncer raro, jovem de 17 anos teve que cortar a perna; empresário ouviu entrevista pelo rádio e decidiu doar prótese de R$ 24 mil à família

Foto: Reprodução/Grupo Thathi de Comunicação

Portadora de um câncer raro que fez com que amputasse a perna, Jaciele Conceição, 17, conseguiu, através da doação de um empresário, a prótese que necessita para voltar a andar. A doação ocorreu depois que a história foi contada no programa Hora da Verdade, da TV Thathi. A expectativa é que a prótese, que custa R$ 24mil, fique pronta em 15 dias. Até lá, ela irá usar um modelo provisório, mas que já permite que ela ande quase normalmente.

A perna da Jacilene foi amputada em decorrência de um câncer ósseo raro, o Osteosarcoma, descoberto quando ela tinha 15 anos. “O que estou sentindo nesse momento é imensurável. O que a gente vem passando de três anos para cá, eu não desejo a ninguém. Desde que descobrimos o câncer, essa prótese é a melhor notícia que nós tivemos. É a resposta que a gente precisava, é a certeza que ela vai voltar a andar e ter a vida dela normal”, afirmou Cherlany Gonçalves, mãe de Jaciele.

Segundo a jovem, a doação trouxe um sopro de esperança. “A gente estava tentando conseguir o dinheiro para comprar a prótese através das redes sociais, fazendo vaquinha, mas não estávamos conseguindo. Foi uma grande e abençoada surpresa a doação”, contou.

Anjo da guarda

Por volta das 17h desta quarta-feira (31), o empresário Gualter Paiva, voltava para Ribeirão Preto. Ela não sabia, mas iria mudar a vida da família de Jacilene. Dono da RPG Próteses, empresa com 13 anos de mercado, ele sintonizou o rádio do carro na rádio 91.3. “Eu estava em Mococa atendendo outros pacientes e, ao retornar a Ribeirão, ouvi alguém comentando e pedindo doação. Ouvi a entrevista e, no final, descobri que o objetivo era conseguir comprar uma prótese”, conta.

Com unidades em Ribeirão, Ibitinga e em Minas Gerais, o empresário não pensou duas vezes e resolveu ajudar. “Fiquei escutando o programa e a história me sensibilizou. Usei a emoção, e não a razão, para ligar. Telefonei para a redação da Thathi para entrar em contato e fazer a doação”, conta ele, que afirma que o ato gerou nele “uma sensação muito boa”.

“Foi muito importante para mim como pai, como ser humano e como cidadão. Você ter a oportunidade de fazer e você não faz, não é justo. Eu fiz de coração aberto e ela vai fazer bom uso. Espero que ela conclua todas as expectativas que ela tem de vida e seja feliz”, conta.

No que depender de Jaciele e Cherlany, a ação não será esquecida. “Gratidão é a palavra que define o sentimento, não consigo nem mensurar. Isso é uma benção! Eu sempre acreditei que existiam pessoas de coração bom, e encontrei uma delas. Eu sei que existem pessoas ruins, mas as boas se sobrepõem. A única coisa que eu posso falar é que Deus abençoe a todos que empenharam e tiveram boa vontade com a história da Jaci”, afirma Cherlany.

Amputação

O problema de Jaciele começou quando, aos 15 anos, começou a sentir dores na perna. Diagnosticada com Osteosarcoma, ela fez tratamento de quimioterapia por um ano e dois meses. Em seguida, realizou uma cirurgia para a retirada do tumor e a colocação de uma prótese de osso.

“Ela começou a sentir os sintomas com 14 para 15 anos, perdeu 10 quilos em um mês e, depois de muita correria para ver o que era, a gente descobriu o câncer. É uma doença que infelizmente não conseguimos descrever, entra e devasta com a família da gente. Essa menina tem sofrido coisa que nem um gigante suportaria o que ela vem suportando nesses três anos”, relatou a mãe.

Meses depois do procedimento, Jaciele voltou a sentir dores. Após exames, foi descoberto que a doença havia voltado. Foi realizada outra cirurgia para a retirada, mas as dores voltaram novamente após um tempo e detectaram que havia dois tipos de bactérias altamente letais na perna.

A equipe médica tentou extirpar as bactérias. Duas lavagens da área foram feitas, e também houve uso de antibióticos pesados, mas as bactérias não foram derrotadas. Há menos de dois meses, a amputação foi a única alternativa para impedir que situação ficasse ainda pior. “Nesse tempo, ela não viveu, sobreviveu”, conta a mãe.

Luta

Sem uma das pernas, começou a segunda parte da luta. Por fazer o tratamento em um hospital público, Jaciele entrou na fila de espera para conseguir a prótese, mas ela e a família foram informados que a fila de espera era de até três anos. “Foi ai que começamos a fazer a arrecadação virtual para levantar os recursos e comprar o equipamento. Mas, até quando conseguimos a doação, só tínhamos conseguido 25% do valor necessário”, conta Jacilene.

Se causou um verdadeiro furacão na família, a doença também trouxe pelo menos um ponto positivo: Jaciele teve que amadurecer mais rápido. O que não significa que seja fácil. “É muito difícil ter que amadurecer tão rápido. Você não imagina que vai acontecer com você e, quando acontece, não sabe lidar. Eu só tenho 17 anos e está sendo muito difícil me adaptar a tudo, inclusive psicologicamente, pois eu ainda sinto a dor de quando eu tinha a perna”, enfatizou a adolescente, que espera, entretanto, retomar a vida normal. “Essa prótese vai me ajudar não só a andar, mas também a continuar a viver”.

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