Tratamento que curou câncer deve ser aplicado a mais dez pacientes em seis meses

De acordo com pesquisador, três pessoas já estão em fase de preparação para o tratamento, pioneiro na América Latina

Equipe médica que atendeu ao aposentado Vamberto no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto — Foto: Divulgação/HCFMRP/Divulgação

Mais nove pessoas pessoas devem ser submetida ao tratamento inovador, aplicado a um homem de 63 anos, que curou um tipo agressivo de linfoma.  A pesquisa, inédita na América Latina, foi desenvolvida por pesquisadores do Centro de Terapia Celular da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A informação é do médico hematologista Dimas Tadeu Covas, um dos pesquisadores. Segundo ele, três pacientes já estão em preparação, na fase da coleta e modificação das células, e as demais devem começar nos próximos seis meses.

“Quando abrimos a porta da esperança, não tem como fechar. Já temos uma pequena fila para o uso compassivo da terapia, em caráter experimental. Três pessoas já estão em preparação, na fase da coleta e modificação das células. Meu objetivo, que talvez seja um pouco otimista, é testar a terapia em dez pacientes nos próximos seis meses”, disse o hematologista Dimas Tadeu Covas, coordenador do CTC, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

O tratamento é feito a partir das células de defesa do próprio paciente. No caso do aposentado Vamberto Luiz de Castro, de 62 anos, a técnica surtiu efeito em menos de 20. Chamado de CART-Cell, o método já é utilizado nos Estados Unidos e na Europa, porém a técnica utilizada nesse primeiro teste em Ribeirão Preto foi totalmente desenvolvida no Brasil.

SUS

A esperança dos pesquisadores é que essa alternativa possa ser aprovada e oferecida futuramente pelo SUS. “Nós desenvolvemos uma tecnologia toda nossa, toda nacional, dentro de um instituto público, dentro de um hospital público, apoiado pela USP, pela Fapesp, pelo CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] e pelo Ministério da Saúde. Portanto, (é) um tratamento que se destina aos nossos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS)”, disse Dimas.

Ainda segundo o pesquisador, a intenção é transformar a pesquisa em um produto que possa chegar ao mercado e atender à demanda.  “Precisamos acelerar os processos. É estratégico para o País olhar para este cenário e tomar uma decisão: vamos transformar em produto, começar um estudo clínico, combinar com as agências reguladoras”, afirmou