Startup de Ribeirão Preto trabalha no desenvolvimento de vacina oral contra a Covid-19

Projeto de novo imunizante está nas fases iniciais e apresenta vantagens tecnológicas, de custo e de logística, que despertaram interesse de empresa farmacêutica para produção em larga escala

Foto: Divulgação

Com a chegada da vacina contra a covid-19, a vacinação de toda a população mundial é, sem dúvida, o sonho da maioria das pessoas, em meio à pandemia. Para além das vacinas existentes contra o sars-cov-2, pesquisadores de todo o mundo buscam novos imunizantes com tecnologias diferentes e características diversas daquelas que já estão sendo aplicadas na população desde o final de 2020.

Este é o caso da startup Invent Biotecnologia Ltda, sediada no Supera Parque de Inovação e Tecnologia, instalado no campus de Ribeirão Preto da USP, que começou a estudar uma nova vacina para o combate ao coronavírus e que, em breve, pode se juntar a outras 200 candidatas, que já estavam em desenvolvimento no mundo em dezembro de 2020, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A vacina

“A primeira vantagem é que se trata de uma vacina oral, o que facilita a aplicação e elimina uma série de itens que precisam ser utilizados, além do fato de não se aplicar uma injeção intramuscular”, explica o pesquisador Ebert Seixas Hanna, proprietário da empresa e credenciado para dar aulas na pós-graduação da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

Outra vantagem, segundo Hanna, é que o produto que deverá ser formulado não depende de cadeia refrigerada, o que “certamente vai facilitar o transporte para locais muito remotos para o Brasil e para o mundo”. A produção desta nova vacina também deve ser mais simples. É que, para este novo imunizante, “é preciso um biorreator e fermentação, basicamente”. Além disso, conta o pesquisador, é possível adaptar alguns parâmetros para produzir cada vez mais doses.

Ao contrário de algumas vacinas, já em uso, que requerem tecnologias e cuidados especiais, e equipe de Hanna promete um novo imunizante descomplicado. Ele cita o exemplo da vacina com um vírus inativado: “É preciso produzir partículas virais e depois inativá-las, o que é muito mais complicado que a nossa tecnologia”, aponta. Outra dificuldade sobre determinadas vacinas, lembra o pesquisador, é o uso do RNA mensageiro que, no Brasil, esbarra na falta de plantas capazes de produzi-las e ainda na dependência de maiores quantidades de câmaras refrigeradas especiais.

Ainda falando nas vantagens do produto que desenvolvem, Hanna acredita que a tecnologia deverá gerar uma vacina de dose única. O pesquisador informa que a plataforma utilizada no estudo dessa nova vacina já foi testada para outras doenças. “Nos outros casos, foi necessária uma única dose para gerar uma resposta imunitária protetora, então, nossa expectativa é que isso se repita.”

Tecnologia utilizada

A tecnologia utilizada pelos pesquisadores do Supera Parque nesse projeto de vacina está embasada numa bactéria que tem capacidade de produção de um dos antígenos do sars-cov-2. “Nós vamos introduzir um plasmídeo nessa linhagem atenuada, que vai interpretar o material introduzido como algo que deve ser produzido”, informa.

O estudo ainda está no início, mas os pesquisadores trabalham com a ideia de começar em breve uma melhor produção de células e, então, iniciar os ensaios em animais de laboratório. “Se tudo correr bem, vamos buscar os ensaios clínicos”, antecipa Hanna.

Financiamento

O projeto Desenvolvimento de uma estratégia vacinal carreando proteína viral contra o sars-cov-2, apresentado pelo pesquisador no ano passado, foi aprovado no início deste ano pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que liberou, para a execução da primeira fase, financiamento de R$ 142 mil. O montante, diz Hanna, já despertou a atenção de empresas farmacêuticas. Com uma dessas empresas, localizada no Estado de São Paulo, a equipe de Ribeirão Preto já estuda parceria para produzir a nova vacina em larga escala.

Contudo, Hanna informa que também está fechando parcerias com o Departamento de Farmacologia e o Centro de Virologia, ambos da FMRP. Segundo o pesquisador, se o desenvolvimento ocorrer como o planejado, a vacina pode estar pronta para comercialização em dois anos e meio.

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