Pesquisadores da USP afirmam riscos da redução da frota de ônibus na pandemia

Em Ribeirão, Justiça tinha impedido redução da frota, mas medida foi revertida no Tribunal de Justiça de São Paulo

Ônibus em ponto de Ribeirão Preto - foto: Arquivo Grupo Thathi

Uma pesquisa realizada por professores da Universidade de São Paulo (USP) afirmam que a redução do número de frotas de ônibus acarreta riscos de contaminação por covid-19 e pode contribuir para ampliar os efeitos da pandemia.

Pedro Logiodice, pesquisador da USP, afirma que as pessoas da periferia são submetidos a uma taxa de lotação maior e que isso os torna mais vulneráveis ao contágio da Covid-19. Essas condições já existentes se agravam ainda mais durante a pandemia.

“Em algumas metrópoles brasileiras, a demanda na periferia é maior que no centro, essas pessoas da periferia são submetidas a taxas de lotação maiores, se deslocam por mais tempo nos veículos e dependem do transporte público para acessar o emprego. Observamos que essa população fica muito mais vulnerável ao contágio, justamente pelas condições anteriores à pandemia, que já existiam antes e que agora se agravam ainda mais nesse contexto de contaminação em risco.” diz Logiodice.

Assista abaixo a entrevista com os pesquisadores da USP que foi ao ar no programa Thathi Notícias:

Pesquisa

Outra pesquisadora da universidade, Tainá Andreoli, diz que para garantir a segurança das pessoas que usam o transporte público diariamente, é necessário manter o distanciamento. E justamente o não cumprimento dessa recomendação, é o que o torna perigoso.

“O que nós colocamos na nota é que para você garantir o mínimo de segurança para essas pessoas que usam o transporte público diariamente, é necessário manter o mínimo de distanciamento possível. É justamente o não cumprimento desse distanciamento que torna os transportes públicos tão perigosos para a saúde das pessoas que fazem uso.”

“O que temos vistos em várias cidades brasileiras é que a redução da frota não tem acompanhado a redução da demanda ou de forma adequada. Se a demanda reduzir 50% e a gente reduzir 50% da frota, quer dizer que vamos continuar com os mesmos níveis de lotação de antes e que não garantem esse distanciamento.”

Barrados

Na última semana o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo votou a favor pela diminuição da frota do transporte público em Ribeirão Preto, como uma medida de prevenção e diminuição para a disseminação da Covid-19 na cidade.

O TJ acatou o recurso da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto que questionou a decisão da Justiça em primeira instância, determinando o aumento da quantidade de ônibus circulando pela cidade no período de pandemia, evitando aglomerações dentro dos transportes.

A justificativa para tal decisão seria que, com o transporte público circulando normalmente, mais pessoas o utilizam, o que interfere nas medidas de isolamento social e consequentemente nas políticas de reabertura do comércio na cidade. 

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