Pesquisa reforça a necessidade da prática de atividade física mesmo durante a pandemia

Estudo foi desenvolvido pela Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP

A pesquisa mostra a necessidade da prática de atividades físicas mesmo durante a pandemia. Exercícios físicos – Foto: Suzana Xavier/ flickr

Estudo da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP revelou que o distanciamento social de 16 semanas, no início da pandemia, trouxe consequências indesejáveis para a saúde de mulheres entre 50 e 70 anos de idade. Os resultados mostram que, mesmo durante o isolamento, as pessoas precisam continuar ativas fisicamente. Uma alternativa, segundo os pesquisadores, são as aulas on-line de exercícios físicos, lembrando que o isolamento social é fundamental para evitar o contágio da Covid-19.

As análises das informações, coletadas antes e após o período, mostraram redução da capacidade cardiorrespiratória e da força muscular, acompanhadas de aumento dos níveis de insulina, triglicérides e hemoglobina glicada, indicando altos valores de açúcar no sangue por períodos prolongados, conta Carlos Roberto Bueno Júnior, professor da EEFERP e um dos coordenadores do trabalho.

A professora Ellen Cristini de Freitas, colega de Bueno Júnior na EEFERP, conta que a pesquisa acompanhou 34 mulheres fisicamente inativas, que foram recrutadas e avaliadas entre janeiro e fevereiro de 2020. Nesta primeira fase do estudo, os pesquisadores analisaram porcentagem de gordura, índice de massa corporal, pressão arterial, nível de atividade física em diferentes contextos, alimentação, força muscular, capacidade cardiorrespiratória, parâmetros sanguíneos, perfil lipídico e hemograma completo. Ao final das 16 semanas de distanciamento social, entre junho e julho, as participantes foram novamente submetidas aos mesmos exames.

Os resultados ruins chamaram a atenção dos pesquisadores porque, como avalia Bueno Júnior, analisaram “fatores que representam a saúde geral das pessoas”, relacionados com “qualidade de vida e de mortalidade”. As voluntárias também se surpreenderam com as informações que receberam.

A costureira Joana D’arc Vitor Botelho, de 65 anos, por exemplo, diz que foi alertada sobre o que fazia de errado com sua saúde: “Fiquei sabendo que não tomava muita água”, conta.

Importância de manter-se fisicamente ativo

Para Bueno Júnior, a pesquisa mostra a necessidade da prática de atividades físicas mesmo durante a pandemia. As 16 semanas de isolamento social, argumenta o professor, “foram responsáveis por 83% de redução do nível de atividade física no tempo livre”. Com os resultados associados às mudanças negativas na saúde das participantes do estudo, Bueno Júnior recomenda que as pessoas invistam em alternativas para continuarem ativas neste período. Para o professor, aulas on-line de exercícios físicos podem ajudar a driblar o problema.

O estudo Efeitos da pandemia covid-19 na saúde global de mulheres com idade entre 50 e 70 anos acaba de ser publicado na Experimental Gerontology. Além de Ellen e Bueno Júnior, participaram os pesquisadores João Gabriel Ribeiro, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, e Gabriela Abud, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara.

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