‘Não sou bom o suficiente’: saiba como combater a Síndrome do Impostor

Problema afeta personalidades como Michelle Obama e Tom Hanks; profissional de Ribeirão fala sobre os os sinais e dicas úteis para superar a autossabotagem

Síndrome do impostor faz com que pessoas se sabotem - Foto: Divulgação

“Era uma sensação constante de não ser bom o suficiente, de não estar preparado. Eu iniciava um plano e já imaginava o fracasso”. A frase é de um empresário de 40 anos (o nome foi preservado a pedido) de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, que não reluta em dizer o motivo: ele carrega consigo a chamada síndrome do impostor.

Está longe, entretanto, de ser o único. Personalidades como Michelle Obama, Neil Armstrong, Maya Angelou e Tom Hanks, entre outros, já falaram abertamente sobre suas experiências relacionadas à síndrome do impostor, que acomete homens e mulheres igualmente. E, como se vê nessa seleta lista, o sucesso profissional de cada um deles não impede que os sentimentos existam.

Vale lembrar que é normal o ser humano ter dúvidas sobre suas capacidades. Sentimentos como medo, insegurança e ansiedade afligem diversas pessoas em algum momento da carreira, independente da jornada profissional. O problema ocorre quando essas sensações viram uma constante e podem indicar a existência de um problema mais sério: a chamada Síndrome do Impostor.

Como identificar

Esta síndrome é muito comum em pessoas que têm profissões competitivas, como empresários ou profissionais autônomos, e costuma atingir as pessoas inseguras. É uma experiência individual baseada em uma falsa autopercepção de incapacidade intelectual, ou seja, de ser uma fraude.

Para a psicóloga Leidiane Martinez, sócia da Core Psicologia Aplicada, algumas pessoas sentem isso principalmente nos ambientes empresariais. “O fato de realizar conquistas, como: promoção no trabalho, concretização de projetos, elogios do gestor, faz com que se sinta menos qualificado, com o sentimento de ‘não merecedor’ acreditando ser uma ‘farsa’”, explica.

Sintomas

Leidiane Martinez, psicóloga em Ribeirão Preto – Foto – Divulgação

Embora a pandemia tenha causado um verdadeiro boom de sentimentos negativos em muitas pessoas, além de ampliado o desemprego, quem vive situações frequentes com estas emoções deve se precaver. Afinal, essas sensações podem afetar todos os âmbitos da vida do indivíduo.

Pessoas que sofrem síndrome do impostor geralmente apresentam três ou mais dos seguintes comportamentos: Necessidade de se esforçar demais; autossabotagem; adiar tarefas; medo de se expor e comparação com os outros. “No meu caso, tinha a tendência de adiar as tarefas e de autossabotar os meus próprios planos. Só percebi isso depois de muito tempo, e foi um marco para mim. Comecei a confrontar esses pensamentos para tentar vencê-los”, conta o empresário.

Qualquer pessoa, de qualquer idade, pode desenvolver a síndrome. Porém, com a ajuda de um profissional qualificado, conseguirá ter mais autoconhecimento, o que é fundamental para identificar os pensamentos disfuncionais que estão coibindo a sua evolução e a valorização das suas potencialidades.

Apoio

Como em outros casos de sofrimentos psíquicos, não há um padrão para tratamento da síndrome do impostor. Porém é bom procurar terapia com um psicólogo especialista que ajude a trabalhar as questões que levaram ao desenvolvimento desse autoconceito negativo, diminuindo a sensação de ser uma fraude.

“Essas pessoas passam a maior parte do seu tempo em constante “tensão”, estresse e com medo da vulnerabilidade – uma sensação de tristeza e de “não aproveitamento” do que se faz”, enfatiza a psicóloga.

Para a especialista, o mais importante é que a pessoa reconheça e identifique que suas convicções estão erradas e, com isso, torne um impulsionador para a carreira. Ela recomenda algumas ações para melhorar superar.

“Algumas recomendações são: evitar se comparar ao outros, dar um tempo das redes sociais, no qual todos parecem bem-sucedidos; pode “contar como se sente” quando estiver com a família e amigos; e realizar atividades capazes de aliviar o estresse e a ansiedade, que melhorem a autoestima e promovam autoconhecimento. São práticas que podem ser feitas a partir de já e que melhorarão a vida dessa pessoa”, finaliza.

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