Menina de 8 anos morre com suspeita de dengue hemorrágica no HC Ribeirão

A doença pode ter sido contraída em São Simão; família diz que cidade está tomada pelo mosquito Aedes Aegypt

A garota Maria Gabriela Merigo Quintino, 8, morreu, no começo da noite desta quarta-feira (15), uma hora após dar entrada no setor de emergências do Hospital das Clínicas, em Ribeirão Preto. A suspeita é que ela tenha sido vítima de dengue hemorrágica.

Um primo da vítima, Paulo Ricardo Nogueira, disse por telefone que Gabriela é a mais velha de dois irmãos de uma família de São Simão. No domingo (12), a menina apresentou um quadro de febre acompanhada de dores abdominais e foi levada para um posto de saúde da cidade. Segundo Nogueira, a paciente foi medicada e liberada sem ter passado por exames conclusivos, apesar da suspeita de dengue.

Na segunda-feira (13), a menina, filha de pais separados, veio para Ribeirão Preto passar alguns dias na casa do pai. Com uma piora no estado de saúde na terça-feira (14), Gabriela foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da avenida Treze de Maio.

Segundo relato da secretaria municipal da Saúde, a criança foi atendida por uma equipe médica e os exames tiveram resultado NS1  positivo para a doença. Um novo agendamento foi marcado para às 11h da quarta-feira (15), na mesma unidade de saúde.

Exames

Nogueira disse que na quarta-feira (15), a menina foi levada para a consulta marcada e novos exames foram realizados. A secretaria da Saúde admite que Gabriela foi novamente liberada para continuar sob observação em casa, após os resultados não apresentarem mudanças significativas.

Cerca de quatro horas depois de voltar para casa, a menina retornou à UPA em estado crítico. O primo da paciente contou que ela chegou a ter uma parada cardíaca e, após o trabalho de ressuscitação, foi encaminhada imediatamente para a Unidade De Emergência do Hospital das Clínicas. Nogueira disse que ainda no caminho, Gabriela começou a apresentar sangramento no ouvido, nariz e intestino. Pouco mais de uma hora após dar entrada no HC-UE, a paciente já estava sem vida.

Burocracia

Nesta quinta-feira (16), a família ainda teve de passar pelo sofrimento dos trâmites burocráticos, antes de providenciar o velório e sepultamento da vítima. O corpo de Gabriela só deu entrada no Serviço de Verificação de Óbitos do Cemel de Ribeirão Preto pouco antes do meio-dia, quase 18 horas após o falecimento.

Até o fechamento desta matéria, a família ainda não tinha informações sobre o prazo para liberação do corpo. Segundo Nogueira, o sepultamento deverá acontecer em São Simão. O familiar disse ainda que, além de Gabriela, mais três pessoas da família contraíram dengue recentemente. “São Simão está infestada de mosquitos transmissores. É preciso fazer alguma coisa urgente”, apelou o rapaz.