Médico alerta para agravamento de doenças de pele causadas por estresse pelo isolamento social

Maior publicação científica do mundo divulga estudo brasileiro sobre aumento de casos de estresse e depressão

Dermatologista Weber Coelho - foto: Divulgação

Seis diferentes doenças de pele têm chamado a atenção de dermatologistas durante a pandemia provocada pelo coronavírus. Segundo o médico Weber Coelho, aumentou significativamente a procura por atendimento médico para casos de agravamento de cinco doenças de pele agravadas por alterações emocionais: herpes simples, psoríase, dermatite seborreia, rosácea e vitiligo. “São doenças que têm significativa piora em situações de alteração emocional, como ansiedade, depressão ou estresse e mesmo por tristeza”, alerta.

O cenário é corroborado pela pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro publicada na principal revista científica internacional – The Lancet – apontando que casos de depressão, na pandemia, aumentaram 90%, e os casos de estresse e ansiedade mais que dobraram.

Mestre em Dermatologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP, Weber Coelho relata que a pesquisa é uma radiografia do que está ocorrendo no consultório médico. “As doenças de pele sensíveis às alterações emocionais estão aumentando significativamente nas consultas médicas com o agravamento da pandemia”. Ele alerta que em caso de piora dessas doenças de pele, a pessoa deve procurar atendimento especializado. “O cenário da pandemia de COVID-19 avança no país e a insegurança, o medo a falta de perspectiva são motivos apontados nas conversas em consultório que colaboram para prejudicar o equilíbrio emocional e, por consequência, a saúde em geral”, explica.

“Tenho ouvido casos de pessoas que se sentem bem em casa, cumprindo o isolamento social, mas, ainda assim, relatam piora das doenças de pele. Isso mostra que é bem provável que elas estejam vivendo uma alteração emocional que deve ser monitorada”, diz.

Outro alerta é para que as pessoas evitem a automedicação. O dermatologista ressalta que aqueles pacientes que já vêm tratando de alguma dessas doenças em casa, com medicação receitada por médico, não devem aumentar as doses porque isso já é considerado automedicação. “A dosagem de medicamentos só pode ser indicada e, se for o caso, alterada pelo médico. O risco para a saúde do paciente que aumenta doses por conta própria em virtude do agravamento do problema é alto, especialmente considerando o momento de possível alteração emocional como consequência do isolamento social”, explica.

Como se manifesta cada doença:

Herpes simples – doença viral da pele e mucosas, causado pelo vírus herpes simples.  Pode causar vesículas com vermelhidão e sensação de ardência e dor. Geralmente nos lábios, mas pode acometer outras áreas, como a pele, couro cabeludo, genitália e olhos.   Extremamente associada com estresse e ansiedade.

Psoríase – doença inflamatória da pele com manchas vermelhas, descamativas. Pode acometer pele, couro cabeludo, unhas e até causar artrite. Apresenta-se piorada com aumento da ansiedade e estresse.

Dermatite seborreia – conhecida popularmente como caspa. Apresenta lesões descamativas no couro cabeludo, atrás das orelhas, borda do couro cabeludo e na face. Apresenta-se com prurido e descamação.  Geralmente piora com estresse, ansiedade, depressão e tristeza.

Rosácea – doença inflamatória da pele, caracterizada por vermelhidão e lesões papulosas semelhantes a acne.  Piora com o calor, frio e estresse.

Vitiligo – doença de causa pouco conhecida, que leva à perda da cor da pele, formando manchas brancas. Pode acometer qualquer localização da pele.  Extremamente ligada ao emocional, depressão, estresse e ansiedade.

Queda de cabelos – existem muitas causas para queda capilar e várias doenças associadas.  Uma causa muito ligada à queda excessiva dos cabelos é o estresse.

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