Idosos quebram preconceitos e ganham espaço na sociedade

Dados do IBGE apontam que até 2050 o número de brasileiros acima de 60 anos vai triplicar; tendência é que cada vez mais eles sejam ativos

A artista plástica Tetê Bramdolin, que aprendeu a escrever aos 82 anos - Foto: Divulgação

Nesta quinta-feira, 1º de outubro, comemora-se o Dia do Idoso, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para reforçar a importância da proteção e para reavaliarmos nossas atitudes e percepções em relação a eles.

Foi-se o tempo em que a figura do idoso podia ser associada ao indivíduo com pouca vitalidade ou disposição. O conceito, que pouco se aplica aos dias atuais, se desgastou à medida que ele se tornou velho para ser referir às pessoas que possuem mais de 60 anos ou que fazem parte da chamada terceira idade ou melhor idade.

Segundo Sonia Prado, psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da Estácio, para entendermos quem é esse novo idoso é indispensável abandonar estereótipos e estar ciente que cada vez mais as pessoas, sobretudo as de mais idade, acreditam na sua capacidade de se manterem ativas e presentes na sociedade onde elas estão inseridas.

“Hoje as pessoas com mais de 60 anos estão estudando, fazendo atividades físicas, empreendendo e buscando conhecimento que não estão associados a uma limitação genética ou de idade”, diz Prado.

Tornar-se uma pessoa velha, no olhar psicológico e social, é um evento com características humanas, que depende um pouco de como a pessoa está sendo percebida pela sociedade.

“O idoso acumula experiências e essas experiências muitas vezes não são consideradas e percebidas pelos mais jovens. Normalmente quando o idoso acaba sendo prejudicado pelas limitações impostas pela própria sociedade, ele é simplesmente classificado ou rotulado com velho com base em aspectos físicos comuns ao envelhecimento sem se levar em consideração a sua capacidade mental”, explica Prado.

Tornar-se velho

Centro Universitário Estácio, em Ribeirão – Foto: Divulgação.

A fisioterapeuta Gabriela Kohns, professora do curso de Fisioterapia da Estácio, lembra que a partir dos 60 anos o organismo começa a passar por um intenso processo de modificação fisiológica que culmina na diminuição da acuidade visual, desmineralização óssea, perda de massa muscular, dentre outros fatores biológicos. A idade avançada requer atenção, mas de forma alguma exige que o idoso pare de levar uma vida normal, apenas que tome mais cuidado com relação às atividades que costuma realizar no seu dia a dia.

Para a fisioterapeuta, com um programa de exercícios físicos específicos é possível promover o fortalecimento muscular, melhorar a marcha, propiciar ganho de mobilidade, flexibilidade e equilíbrio entre os idosos. “Tanto na residência como no trabalho, pensando no bem-estar do idoso, é possível realizar intervenções ergonômicas, como a adaptação da mobília, a implantação de rampas de acesso e de barras de apoio em pontos estratégicos que irão evitar que ocorram quedas, um dos maiores vilões da terceira idade”, explica Kohns.

O idoso, seja o que esbanja vitalidade ou mesmo aquele mais tranquilo e contido, não pode ser mais visto ou percebido pelas pessoas como alguém que tem prazo de validade. Neste sentido a psicóloga faz um alerta importante ao lembrar que o envelhecimento físico é algo natural e que os idosos sabem que possuem algumas limitações físicas, mas nenhuma que limite o seu aprendizado, a sua interação social, o seu trabalho e a sua vida.

“Neste 1º de outubro, Dia do Idoso, precisamos entender de uma vez por todas que cada vez os idosos acreditam na sua capacidade de se manter ativos na sociedade onde eles estão inseridos”, salienta Prado.

Um novo começo

E a vitalidade do idoso pode ir além da forma física, para muitos, a melhor idade é o momento de retomar os grandes sonhos, que por diversos fatores, precisaram ser deixados de lado. É o caso da artista plástica Therezinha Brandolim de Souza, que aprendeu a ler e escrever aos 82 anos.

Neta de imigrantes italianos, Tetê nasceu em Monte Azul Paulista (400 km de São Paulo) e, como milhares de paulistanos no interior de São Paulo, trabalhou na roça e não teve chances de se alfabetizar. Mãe de cinco filhos, mudou-se para Ribeirão Preto em 1974, já viúva, onde trabalhou como faxineira e foi dona de casa. Sempre quis aprender a ler e escrever, mas só realizou o sonho em 2013.

O exemplo de Tetê, segundo a gerontologista Rosa Chubaci, coordenadora do curso de graduação em Gerontologia da USP (Universidade de São Paulo). mostra uma mudança de tendência no processo de envelhecimento. “Antes, dizia-se que a terceira idade era marcado por um declínio da capacidade de aprendizado. Hoje, vemos, cada vez mais, um envelhecimento ativo. Os idosos de hoje querem oportunidades, querem concretizar seus sonhos”, afirma.

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