Homem de 68 anos morre e família denuncia falta de exame para Covid-19

Segundo relato da família, idoso procurou atendimento na UPA, mas foi mandado para o Pronto Socorro central

Unidade de Pronto Atendimento da 13 de Maio, em Ribeirão Preto - Foto: Divulgação

A família de um homem de 68 anos que morreu nesta quinta-feira (15) afirma que, apesar de estar com suspeita de covid-19, ele não foi testado para comprovar se estava contaminado. Ele chegou a ser levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da 13 de maio, que concentra os atendimentos de coronavírus na cidade, mas não chegou a ser examinado.

Apesar da denúncia, o atestado de óbito relata que o idoso veio a óbito com depressão, hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca, câncer de próstata e síndrome gripal. A família, entretanto, relata que o enterro teve todas as precauções destinadas a quem morre por conta de covid-19.

“No final de semana, minha mãe levou ele na UPA e ninguém fez exame nele, disse que ele estava bem e podia ir pra casa. Agora que ele morreu, a suspeita é de Covid e ninguém pode fazer nada”, disse a jornalista Renata Carvalho, sobrinha da vítima.

Ela relatou que o idoso chegou à UPA no dia 4 de maio com febre, dor de cabeça, tosse e falta de ar. “Disseram pra levá-lo para o Pronto Socorro central. Lá, ele foi examinado, mas liberado. Disseram que não tinha nada de errado”, disse. No sábado passado, as dores continuavam e, na quinta, ele foi encontrado morto por familiares em casa”, disse Renata.

A jornalista critica a falta de testes e atendimento na UPA da 13 de maio. “Pra que nós temos uma UPA? Que negócio é esse de que a cidade está cuidando? Meu tio está morto agora e minha mãe está com suspeita e não pode fazer exame, se quiser fazer exame tem que pagar”, disse.

Outro lado

Em nota, a Secretaria da Saúde informou que “se solidariza com os sentimentos da família” e confirmou que ele passou por atendimento médico na UBDS Central, dia 04 de maio de 2020. O secretário da pasta, Sandro Scarpelini, informou, ainda, que, quando a vítima foi buscar atendimento na UPA, a orientação é que apenas pacientes com sintomas graves fossem tratados, o que, segundo ele, mudou na semana passada, quando a cidade ganhou condições de fazer mais testes.

A Secretaria ressaltou, entretanto, que, até o momento, não há indicação de que a vítima tenha morrido por conta do covod-19. “O paciente era portador de hiperplasia prostática, insuficiência cardíaca, diabetes, hipertensão entre outras comorbidades e uma suspeita de síndrome gripal, todas relatadas na Declaração de Óbito, que é um documento de registro público”, declarou a prefeitura, que não se manifestou sobre o motivo de o idoso não ter sido atendido na UPA da 13 de meio.

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