Federação dos Hospitais alerta para a dengue tipo 2, detectada em Ribeirão

Desde 2016, apenas o sorotipo 1 da doença circulava no estado de São Paulo

Foto: PixaBay.

A FEHOESP (Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo) está alertando prontos-socorros, clínicas e hospitais privados de todo o Estado para os sintomas do sorotipo 2 da dengue. O objetivo é fazer com que os serviços sejam mais criteriosos antes de liberar o paciente.

“Na infecção pelo vírus da dengue tipo 1, a orientação, quando o paciente está relativamente bem, é de repouso e ingestão de muita água. Hoje, a liberação do paciente precisa ter mais critério, ser mais cuidadosa. Os serviços de saúde só podem liberá-lo tendo convicção de que ele não está com o vírus tipo 2”, alerta o médico e presidente da FEHOESP, Yussif Ali Mere Jr.

O vírus tipo 2 da dengue foi detectado em 19 cidades, incluindo Ribeirão Preto, e colocou o Estado em alerta. Desde 2016, apenas o sorotipo 1 da dengue circulava em São Paulo.

O risco do tipo 2 está relacionado à superposição de vírus. “Quando circula um novo sorotipo do vírus, no caso o 2, pode ter uma evolução para maior gravidade para quem já teve dengue 1”, explica Yussif Ali Mere Jr. Pessoas infectadas por sorotipos diferentes em um período de seis meses a três anos podem ter uma evolução para formas mais graves da doença.

A FEHOESP enviou comunicado alertando para os sintomas da dengue tipo 2 para mais de 430 hospitais privados do Estado, mais de 70 serviços de urgência e emergência e cerca de nove mil clínicas médicas.

O que é

A dengue é uma doença causada por um vírus do gênero Flavivirus que normalmente provoca sintomas muito parecidos com os da gripe. Segundo a FEHOESP, é importante não haver negligência, pois a versão hemorrágica da doença pode surgir devido a uma reinfecção pelo vírus e ser fatal.

Existem 4 sorotipos diferentes do vírus da dengue. Quando um paciente é infectado por um deles, fica imune àquele sorotipo somente. Ou seja, ainda pode ser contaminado pelos outros 3 sorotipos. Todos os sorotipos de dengue causam os mesmos sintomas, o que torna a tarefa de distingui-los através de análise do quadro clínico uma tarefa muito difícil.

Diagnóstico

A identificação precoce dos casos de dengue é muito importante para o controle das epidemias. O vírus da dengue causa formas variadas da doença que inclui desde formas inaparentes até quadros de hemorragia, que podem levar ao choque e ao óbito.

A equipe médica deve suspeitar de dengue em todo caso de doença febril aguda com duração máxima de 7 dias acompanhada de pelo menos dois dos seguintes sintomas: dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares, nas juntas, prostração e vermelhidão no corpo. Nas crianças, a febre alta é acompanhada de sintomas como sonolência, apatia, recusa da alimentação, vômitos e diarreia.

Nos casos mais graves, as manifestações iniciais são as mesmas da forma clássica até que ocorra regressão da febre, entre o terceiro e o sétimo dia, quando aparecem as manifestações hemorrágicas. O hemograma mostra que as plaquetas caem para menos de 100 mil milímetros cúbicos e a pressão arterial pode baixar.

A FEHOESP lembra ainda que por determinação do Ministério da Saúde todos os casos suspeitos de dengue 2 são de comunicação compulsória às autoridades sanitárias no prazo de 24 horas. O objetivo é evitar a dispersão do sorotipo 2 e de outros, como o 3 ou o 4.

Tratamento

Não existe tratamento específico para combater o vírus. Sua função é combater a desidratação e aliviar os sintomas. Importante a equipe médica não utilizar anti-inflamatórios, que são contraindicados por causa do potencial hemorrágico e jamais usar antitérmicos que contenham ácido acetilsalicílico, que podem causar sangramentos.

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