Família fica quatro dias sem notícias de paciente internado na UPA, dizem parentes

Prefeitura, entretanto, diz que houve comunicação no terceiro dia; roupas do homem foram devolvidas aos familiares

Imagem ilustrativa da UPA Treze de Maio - Foto: Corrêa Junior
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Clóvis Maurício, 74, procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Avenida Treze de Maio na terça-feira (11) de manhã, apresentando sintomas de pneumonia. A família entrou em contato com o idoso por volta das 20h do mesmo dia pelo celular. Na ligação, o homem informou que precisava de amoxilina, um medicamento que combate infecções causadas por bactérias.

Letícia Fernandes, nora de Maurício, disse que se deslocou junto com outros parentes até a UPA para retirar a receita e que compraram o medicamento com recursos próprios.

Um funcionário do setor da enfermagem entregou o aparelho celular e, em seguida, outro trabalhador devolveu as roupas do idoso em um saco para os parentes. O fato causou estranheza para os familiares que não conseguiram mais informações.

“Parece que somos animais, entra lá e a gente não sabe o que pode acontecer. A única coisa que sobrou pra gente foi a angústia”, desabafou Letícia.

Assistência social

Letícia, nora do paciente que ficou internado na UPA – Foto: Corrêa Junior

Segundo Letícia, na quarta-feira foi informado pela portaria da UPA que a assistência social iria contatar os familiares, mas até o momento, ninguém foi procurado.

A família não foi informada se o idoso colheu material para a realização de teste para a Covid-19, mesmo o homem apresentando histórico de problemas respiratórios e sintomas suspeitos da doença.

De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria da Saúde, Ribeirão Preto está com 4.175 casos do novo coronavírus em investigação, 17.749 confirmados e 465 registros de mortes.

Prefeitura

Procurada às 6h54, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que “os médicos estão atarefados” e que, posteriormente, informaria a reportagem sobre a situação do paciente. Até o momento da publicação da matéria, não houve retorno.

Depois, a Secretaria da Saúde informou que a esposa do paciente recebeu boletim sobre estado de saúde dele no dia 13 de agosto. Não esclareceu, entretanto, porque não houve comunicação sobre o paciente antes disso, já que ele ingressou na unidade no dia 11. A nota informou ainda que “o paciente foi acometido por traumo-embolismo pulmonar, está estável e aguarda regulação”.

A prefeitura informou ainda que há uma norma interna para a divulgação de informações para a família, sendo que as informações do boletim médico “são passadas aos familiares dos pacientes em observação, por telefone, duas vezes ao dia, às 11h e às 16h, esses horários podem sofrer alterações caso haja intercorrências nos setores”.

A assessoria não informou, entretanto, qual o motivo de isso não ter ocorrido no caso em questão e não mencionou também sobre a necessidade da família comprar com o próprio dinheiro o medicamento “amoxilina”, necessário para uso do paciente.

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