Estudo da USP sobre reinfecção por coronavírus em SP é publicado em revista científica

Pesquisadores de Ribeirão Preto investigam o organismo da paciente de 24 anos, que testou positivo para Covid-19 duas vezes

Hospital das Clínicas na unidade campus da USP - Foto: Gilberto Marques

Um estudo da USP de Ribeirão Preto, que apontou um caso de reinfecção por coronavírus em uma paciente de 24 anos, foi publicado na revista científica Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Para o infectologista Fernando Bellissimo, que é o coordenador da pesquisa, a publicação amplia a discussão da comunidade científica sobre a possibilidade de reinfecções.

“O caso foi validado por uma revista científica que é uma das nacionais de maior prestígio internacional. Isso confirma que a nossa hipótese não é um delírio”, afirmou Bellissimo.

A paciente citada na publicação é Gabriela Carla da Silva, de 24 anos. O primeiro exame positivo aconteceu em maio. Cerca de 50 dias depois, após o ressurgimento dos sintomas, outro exame foi realizado, e novamente foi testado positivo para a Covid-19.

Os sete pesquisadores envolvidos na publicação, que aconteceu nesta segunda-feira (14), continuam estudando o sistema imunológico de Gabriela, comparando com outros 12 casos semelhantes. Todos são acompanhados pelo Hospital das Clínicas, em Ribeirão Preto.

Reinfecção –

Mesmo não sendo possível a análise do genoma do vírus no primeiro exame positivo de Gabriela, que teve o material descartado, os pesquisadores acreditam em três hipóteses para explicar o que aconteceu no organismo da paciente, que é técnica de enfermagem.

A hipótese mais provável é fundamentada por evidências epidemiológicas. A paciente ter tido contato com pessoas infectadas antes dos dois teste, a clínica, devido à recorrência dos sintomas, e a laboratorial.

A hipótese menos possível é de que a paciente de 24 anos não tenha sido reinfectada, e sim que o vírus tenha permanecido em seu organismo, mesmo que de maneira atenuada, e os sintomas reapareceram.

A terceira e última hipótese é que Gabriela ficou doente pela segunda vez após ter sido infectada por outro vírus respiratório, mas o organismo dela ainda não havia eliminado por completo o coronavírus, fazendo com que o exame teste positivo mesmo 50 dias após o primeiro diagnóstico.

Futuro –

Após a publicação na revista, os pesquisadores agora trabalham com duas linhas de investigação para dar continuidade ao estudo. Uma delas é pesquisar mais a fundo o organismo de Gabriela e a outra é tentar encontrar o que a jovem tem em comum com todos os outros pacientes que tiveram caso de reinfecção do novo coronavírus.

“A gente quer saber se essas pessoas têm alguma característica diferente das demais. Será que isso é ao acaso ou será que existe uma particularidade destas pessoas? Será que o segundo episódio é mais grave que o primeiro ou é mais leve que o primeiro? São perguntas que a gente está tentando elucidar”, concluiu Bellissimo.

*Contém informações de G1

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