CoronaVac é segura e gera forte resposta imune em crianças e adolescentes, confirma estudo

Estudo avaliou 550 crianças de três a 17 anos, para medir a segurança, a tolerabilidade e a imunogenicidade da aplicação de duas doses da Coronavac com um intervalo de 28 dias entre elas

As análises apontaram que a vacina foi capaz de gerar anticorpos em 96% dos voluntários 28 dias após a segunda dose - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.


A CoronaVac, vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela biofarmacêutica chinesa Sinovac Biotech e produzida no Brasil pelo Butantan, é segura para a população de três a 17 anos de idade e pode induzir uma forte produção de anticorpos no grupo pediátrico. As conclusões foram obtidas nos estudos clínicos de fases 1 e 2 conduzidos pela Sinovac com a aplicação da CoronaVac em crianças e adolescentes. Os resultados foram publicados no periódico científico The Lancet Infectious Diseases. 

Este é o primeiro estudo do mundo a avaliar o uso de uma vacina contra a Covid-19 em uma população a partir dos três anos de idade. “Crianças e adolescentes com Covid-19 geralmente têm infecções leves ou assintomáticas em comparação aos adultos. Apesar disso, um pequeno número ainda pode estar em risco de doença grave e essa população ainda pode transmitir o vírus a outras pessoas. Portanto, é vital testar a segurança e a eficácia das vacinas contra a Covid-19 em grupos de idades mais jovens”, disse o gerente geral da Sinovac, Gao Qiang, em comunicado publicado no site da farmacêutica. 

O estudo randomizado, controlado e duplo-cego avaliou 550 crianças (71 na fase 1 e 479 na fase 2) de três a 17 anos para medir a segurança, a tolerabilidade e a imunogenicidade da aplicação de duas doses da Coronavac com um intervalo de 28 dias entre elas. 

Um grupo tomou a vacina enquanto o outro recebeu placebo com hidróxido de alumínio, adjuvante não nocivo ao organismo presente na fórmula do imunizante. As análises apontaram que a vacina foi capaz de gerar anticorpos em 96% dos voluntários 28 dias após a segunda dose. Na fase 1, nenhum dos participantes tinha anticorpos neutralizantes contra o SARS-CoV-2 e, 28 dias após a vacinação, 100% deles apresentaram anticorpos. 

Na fase 2, alguns voluntários receberam duas aplicações com dosagens menores (1,5µg) e  outros receberam dosagens maiores (3µg). Enquanto no primeiro grupo 95% dos participantes apresentaram anticorpos no sangue, este número foi de 100% no segundo grupo. Por isso, os pesquisadores optaram por seguir apenas com a dosagem mais alta no ensaio clínico de fase 3, que ainda está em andamento.

As reações adversas foram de leves a moderadas, sendo dor no local da aplicação e febre as mais comuns, com desaparecimento dos sintomas em até 48 horas. 27% dos participantes relataram efeitos colaterais. Houve apenas um caso de evento adverso grave, não associado à vacina – uma criança teve pneumonia após receber placebo.

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