Com clima de deserto, Ribeirão judia da pele; confira dica dos especialistas

Clima de Ribeirão Preto já é comparado ao deserto do Atacama, o mais seco do mundo

Ribeirão teve onda de calor com temperaturas acima de 40ºC - Foto: Agência Brasil

A pele é o maior órgão do corpo humano e tem como principal função fazer a interação do organismo com o ambiente externo. Por esse motivo, é ela quem sofre mais com os efeitos das altas temperaturas. A onda de calor que atinge Ribeirão Preto tem registrado nos termômetros temperaturas em torno de 40 ºC e baixa umidade do ar. O clima da cidade já é comparado ao deserto do Atacama, no Chile, o mais seco do mundo, onde a umidade do ar está entre 10% a 15%. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o nível ideal de umidade do ar para o organismo humano é entre 40% e 70%. O calor intenso exige cuidados especiais para reduzir os efeitos do sol.

O Consenso Brasileiro de Fotoproteção da Sociedade Brasileira de Dermatologia, primeiro documento oficial sobre fotoproteção desenvolvido no país, recomenda o uso de filtro solar com fator de proteção acima de 30. “Quanto mais intensa for a exposição, maior será o fator de proteção do filtro solar. Hoje temos protetores com fator de 70, 80 e até 99, mas é preciso saber qual e como usar”, explica o médico Weber Coelho, dermatologista pela SBD-Sociedade Brasileira de Dermatologia e mestre em Dermatologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP.

Além da aplicação do protetor solar adequado, é importante a reaplicação periódica para garantir a proteção. “A reaplicação deve ser feita a cada duas horas ou após imersão na água. Esse tempo dependerá muito do grau e horário da exposição solar”, ressalta o médico. É importante a orientação médica porque há peles com características específicas, mais ou menos sensíveis, histórico de câncer de pele na família, além de outras particularidades como, por exemplo, o caso comum de peles sensíveis.

Weber Coelho, especialista em dermatologia – Foto: Divulgação

O dermatologista lembra do filtro solar labial, já que a exposição excessiva ao sol aumenta o risco de desenvolvimento do câncer de lábios. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2020, foram registados 15.190 novos casos, sendo 11.180 homens e 4.010 mulheres. É mais comum em homens acima dos 40 anos, sendo o quarto tumor mais frequente no sexo masculino na região Sudeste. A maioria dos casos é diagnosticada em estágios avançados.

Em ambientes internos, a orientação é filtro solar com fator de proteção um pouco menor, por volta de 30. “Se a pessoa está no trabalho, em sala fechada com ar-condicionado e exposta a iluminação artificial, o fator de proteção pode ser mais baixo, mas, ainda assim, não se pode deixar de usar filtro em ambientes fechados, já que fontes artificiais também são emissoras de radiação ultravioleta”. Dentre as fontes artificiais estão as lâmpadas e os equipamentos eletrônicos, como televisores, computadores e celulares.

Proteção

Há outras medidas de proteção que devem ser associadas com o protetor solar, como roupas e acessórios. “Já existem roupas com fator de proteção que ajudam atletas ou pessoas que atuam com frequência sob o sol. Também é importante usar roupas de tecidos mais leves, que permitem a transpiração, além de chapéus, bonés”, detalha o médico. Ele explica que roupas de cores claras são preferíveis, já que as cores escuras absorvem o calor e as claras o refletem, o que ajuda a aliviar a sensação térmica. Luvas também auxiliam nesse cenário.

Óculos de sol deve ter lente com proteção à radiação ultravioleta (UV). “A exposição direta ao sol prejudica a retina – camada fina de tecido localizada no interior do olho, que converte raios de luz em imagem – e pode provocar a degeneração macular, doença que ocorre em parte da retina chamada mácula, que leva à perda progressiva da visão central e dificulta principalmente a leitura”, explica Weber Coelho.

Complementam as medidas de proteção a hidratação da pele, com muita ingestão de água ou líquidos a base de sais minerais, dependendo de cada situação, e hidratantes mais leves e fluídos. “Não existe medida que, isoladamente, garanta uma proteção adequada, por isso é recomendada atenção a todas as formas possíveis de proteção para a pele”, salienta Weber Coelho.

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