Cadeirante registra boletim de ocorrência por falta de transporte

Denúncia foi feita na manha desta sexta-feira (27); secretário admite excesso de demanda

Lucas Fernando esteve na prefeitura e sofreu com a falta de acessibilidade - Foto: Desirée Teixeira

A negativa da prefeitura de Ribeirão Preto em fornecer transporte a um rapaz que está na cadeira de rodas e precisa ir a Sertãozinho para fazer tratamento médico, acabou na polícia na manhã desta sexta-feira (27). O rapaz sofreu um acidente na região de Pradópolis, foi enviado a Sertãozinho, onde foi atendido, e agora precisa fazer o resto do tratamento no local.

Segundo relato de Lucas Fernando, ele questionou a funcionários públicos o motivo da negativa e pediu uma declaração sobre o motivo que o transporte foi negado. Como não conseguiu o documento, o cadeirante chamou a polícia militar. Houve um registro do caso através de boletim de ocorrência.

Lucas Fernando conta que voltava de Matão com destino a Ribeirão Preto quando, ao passar nas cercanias de Pradópolis, sofreu um acidente. Devido à gravidade dos ferimentos, foi encaminhado para Sertãozinho, onde ele permanece em tratamento. Ele precisou passar por cirurgia na fíbula, sendo que o tratamento exige que ele volte à cidade a cada 20 dias.

A situação, entretanto, tem sido um problema, já que ele reclama que não há ambulância de remoção de Ribeirão para Sertãozinho e a equipe médica de lá não fez a transferência dele para Ribeirão.  “Ribeirão se recusa a me transferir, diz que o procedimento precisa terminar por lá. E estou tendo problemas para ir, tenho que tirar dinheiro do bolso”, disse.

Protesto

Lucas consegue andar, mas apenas curtas distâncias. Para deslocamentos mais longos, precisa da cadeira de roda. Indignado com a situação, ele esteve na prefeitura de Ribeirão, onde foi protestar sobre o caso. “A prefeitura alega não ter verba para me mandar para Sertãozinho. Eu não tenho condições de fazer esse deslocamento”, comentou.

O secretário de Saúde de Ribeirão, Sandro Scarpelini, informou que, embora não conhecesse o caso pessoalmente, trata-se de uma situação que acontece na prefeitura. “A gente tem 12 ambulâncias para fazerem esse transporte, mas infelizmente não há recurso para atender a todos”, conta.

Ele defendeu ainda que não existiria a necessidade de transporte com a ambulância. “Seria o caso de um transporte com o Uber, sem a necessidade de enfermeiro, de toda a estrutura, que é muito cara. Já tentamos essa licitação há 12 meses, para que a prefeitura tivesse esse tipo de serviço, mas houve problemas com a licitação e espero que em breve tenhamos uma solução para esse problema”, disse.

Sem rampa

O calvário de Lucas, entretanto, estava longe do fim. Ele se dirigiu até a prefeitura, para conversar com responsáveis por resolver o problema dele, mas percebeu que o local não tem rampa de acesso. Por isso, teve que depender da ajuda de outras pessoas para entrar no prédio, onde foi recebido para uma reunião.

Depois de chamar a atenção das autoridades, Lucas acabou contando com o apoio da equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que o levou até a Santa Casa de Ribeirão. Lá, um contato foi feito com a Santa Casa de Sertãozinho para que ele não perdesse o dia da consulta, que acabou reagendada para 6 de janeiro.