Bolsonaro veta R$200 milhões do orçamento para vacina de Ribeirão Preto

Corte ocorreu um dia após ministro Marcos Pontes relatar preocupação com disponibilidade de recurso financeiro para produção do imunizante

Foto: Reprodução

O Governo Federal vetou, nesta sexta-feira (23), R$200 milhões que seriam utilizados para continuidade do desenvolvimento da vacina contra a Covid-19, que tem sido produzida nos laboratórios da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP. O corte ocorreu um dia após o ministro Marcos Pontes, relatar preocupação com orçamento para produção do imunizante. 

“O nosso desafio aqui é justamente o orçamento”, disse Pontes em live com o presidente Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira (22), no Youtube,  “esse custo é um investimento muito bom para o País. São R$30 milhões para essa fase um e dois, um ensaio clínico com 360 pacientes, e depois são mais R$310 milhões com a fase três, com 25 mil pacientes. Tenho esperança agora que isso entre no orçamento ”, afirmou o ministro.

Mesmo com a preocupação de Pontes, R$200 milhões foram cortados do orçamento pelo governo Bolsonaro. Na mesma live, o presidente falou sobre o orçamento, mas não comentou a respeito do corte. “A peça orçamentária para os 23 ministérios é bastante pequena e reduzida ano após ano. Tivemos um problema no Orçamento no corrente ano, então tem um corte previsto bastante grande no meu sentido, pelo tamanho do orçamento, para todos os ministérios. Todo mundo vai pagar um pouco a conta disso aí ”, disse Bolsonaro.

A vacina

Divulgada em março deste ano pelo Palácio do Planalto, a Versamune é a aposta do Governo Bolsonaro para o combate ao novo Coronavírus. Desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), em parceria com  a startup Farmacore e a PDS Biotechnology, a vacina tem previsão de chegar à população no início de 2022.

A velocidade da vacinação da população brasileira é uma preocupação da própria equipe econômica do Governo Federal. De acordo com a equipe, a imunização é uma das condições necessárias para uma retomada da atividade econômica. No caso da Versamune, o pedido para início das fases um e dois da foi enviado à  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no dia 25 de março. 

Na primeira fase, a vacina vai ser aplicada em 360 voluntários, e os pesquisadores estimam concluir as duas primeiras fases entre três ou quatro meses, com início previsto para o mês que vem. Já a fase três vai contar com 20 mil voluntários em diversos estados do Brasil.

A produção é coordenada pelo professor Celio Lopes Silva do Departamento de Bioquímica e Imunologia da FMRP e conta com apoio e financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).  

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