Após morte de idosa, prefeitura de Ribeirão Preto revela que 112 pessoas esperam por vagas em UTI

Leitos destinados aos pacientes com covid-19 já chegam a 92,69% de ocupação, na enfermaria taxa é de 82,72%, em nota a Secretaria Municipal da Saúde afirma que o desrespeito às medidas de restrição levou o município a atual situação

Ambulância atende paciente com Covid-19 - Foto: Agência Brasil

Em Ribeirão Preto, 112 pessoas aguardam por uma vaga em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), de acordo com a Prefeitura Municipal. Com mais de 62 mil casos de Covid-19 confirmados, a cidade já enfrenta os primeiros indícios do colapso no sistema de saúde e viu a espera levar à morte uma idosa de 78 anos, na última quinta-feira (1º).

Depois de permanecer sete dias internada na Unidade Básica e Distrital de Saúde (UBDS) do Centro, Conceição Dorsi, de 78 anos, morreu em decorrência da Covid-19, enquanto aguardava por um leito. “Disseram que ela iria para a UTI em um hospital assim que saísse a vaga, mas não saiu a tempo”, conta Kelly Dorsi, neta de Conceição.

Para o professor Valdes Roberto Bollela, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, o aumento no número de mortes se deve, principalmente, “à falta de leitos de enfermaria e UTI e a continuação do aumento do número de casos de Covid”. Diz que a quantidade de novos casos tem sido maior do que a capacidade do sistema de saúde para atendê-los e que, se essas pessoas não conseguirem a internação, “podem evoluir mal e até morrerem”. 

Foi o que aconteceu com a Conceição. A senhora procurou atendimento médico pela primeira vez no dia 18 de março, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Sumarezinho, na rua Cuiabá. Ela foi atendida, fez o teste de Covid-19, mas foi liberada para casa. Dois dias depois, o exame deu positivo.

Porém, em 25 de março, a família percebeu que Conceição estava piorando e procurou novamente a UPA Oeste .Com indicadores graves, ela foi encaminhada ao Pronto Socorro Central. A idosa ficou no local sete dias, sendo inclusive intubada, e houve solicitação de transferência para a rede hospitalar, mas a senhora não resistiu à espera. 

O professor Bollela conta que é justamente para evitar cenários como esse que todo o estado de São Paulo, e a região de Ribeirão Preto, tem adotado medidas para frear a propagação do vírus, mas “parece que ainda não surtiu efeito”. Afirma que continua grande o número de doentes precisando do hospital e que, se continuar nesse ritmo, o sistema de saúde vai  chegar ao limite. 

“Não é por falta de novos leitos, muitos leitos foram criados, mas existe um limite de recursos humanos, de oxigênio e de insumos para intubação. Tudo isso tem limite e se não parar de aumentar o número de casos, vai ultrapassar o limite e aí sim vamos correr o risco de ter muitas mortes em pessoas que não conseguiram ter acesso ao sistema de saúde”, explica Bollela. 

De acordo com o leitoscovid.org, os leitos destinados a pacientes com Covid-19 já chegam a 92,69% de ocupação em UTIs e 82,72% nas enfermarias. Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde afirmou que “as medidas de restrição que estão sendo persistentemente solicitadas por todas as autoridades sanitárias no Brasil e em Ribeirão Preto e parcialmente respeitadas pela população levaram a esta situação”.

Veja a nota da Secretaria Municipal de Saúde na íntegra 

A Secretaria Municipal da Saúde esclarece que, como tem sido largamente informado pela Prefeitura Municipal, estamos em uma situação de pré-colapso do sistema de saúde, na nossa região, no Estado de São Paulo e no Brasil. As medidas de restrição que, estão sendo persistentemente solicitadas por todas as autoridades sanitárias no Brasil e em Ribeirão Preto e parcialmente respeitadas pela população, levaram a esta situação.

Neste momento de profunda tristeza, vemos situações críticas e dificuldades para atender todas as pessoas doentes. Reafirmamos que, todos os pacientes moderados e graves atendidos nos dois Polos Covid e nas UBSs do município de Ribeirão Preto, estão recebendo todas as medidas necessárias para o tratamento adequado das fases iniciais da doença. No entanto, muitos casos têm evolução muito rápida para a gravidade extrema, mesmo dentro dos hospitais da cidade

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