Adesão de jovens com diabete ao controle glicêmico é baixa em Ribeirão Preto

Apesar da população com diabete em geral apresentar bom índice de controle glicêmico, falta de cuidados dos jovens preocupa

Foto: PixaBay.
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A pandemia da covid-19 escancarou ao mundo os riscos das doenças crônicas, entre elas os da diabete, considerada um dos maiores desafios de saúde pública do século 21. Resultado de predisposição genética, envelhecimento natural, obesidade e sedentarismo, a diabete tem feito cada vez mais vítimas, mesmo com o conhecimento do controle da doença e as morbidades que ela pode trazer (morte, cegueira e amputações) vem atingindo cada vez mais jovens e crianças.

Ribeirão Preto, por exemplo, possui índices de controle glicêmico (dos níveis de açúcar no sangue) de sua população iguais aos de países do primeiro mundo, mas, igualmente, não consegue fazer os cuidados básicos de sua rede de saúde atingir seus jovens com diabete.

Em estudo inédito realizado no município do interior paulista, a Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP avaliou mais de três mil pessoas acompanhadas  nos ambulatórios do Sistema Único de Saúde (SUS). Os resultados revelaram que, enquanto os mais idosos apresentam controle glicêmico adequado (56% dos maiores de 75 anos), apenas 30,4% das pessoas entre 25 e 34 anos têm o mesmo controle.

Responsável pela pesquisa, a enfermeira Adrielen Aparecida Silva Calixto diz que as pessoas com mais idade aderem melhor ao tratamento do que os mais jovens. A pesquisadora alerta que essa “adesão é um fator importante, pois afeta decisivamente o controle glicêmico”, uma informação importante sobre o controle da diabetes. Por isso, além de medicações, dietas e mudanças de hábitos de vida, a população diabética deve realizar, pelo menos duas vezes ao ano, testes de “hemoglobina glicada”, confirmando as taxas de açúcar circulante na corrente sanguínea. Sem os cuidados necessários, alerta a pesquisadora, as pessoas que convivem com a diabetes podem desenvolver complicações da fase crônica da doença, como a cegueira, por exemplo.

Preocupada com o tratamento descontinuado da doença entre os jovens, Adrielen, que também integra a equipe de profissionais do Programa de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas Não Transmissíveis da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto, acredita na ciência e na prática, trabalhando juntas. Ao lado de sua orientadora, a professora da EERP Carla Regina de Souza Teixeira, Adrielen aposta no desenvolvimento de estratégias em que enfermeiros especializados tenham maior participação no tratamento da diabete.

Os jovens com diabete, segundo a enfermeira, precisam de mais atenção dos profissionais de saúde durante o tratamento. Precisam se conscientizar da importância do seguimento clínico e da adesão ao tratamento para evitarem as complicações e chegarem à idade adulta com boa qualidade de vida. Conscientização que pode ser facilitada por “ações interprofissionais”, colaboração entre profissionais com o intuito de educar e conscientizar a população com diabetes sobre a importância do tratamento.

Os resultados apresentados foram do trabalho de pós-graduação da enfermeira Adrielen Aparecida Silva Calixto, publicado em novembro de 2019.

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