Prefeito de Sertãozinho peita governador, mantém decreto e alfineta: Dória quer mandar em todos os municípios

Declaração foi dada ao radialista Linconl Fernandes, no programa Thathi Repórter; segundo ele, decreto é técnico

Zezinho Gimenez - foto: Luan Porto

O prefeito de Sertãozinho, Zezinho Gimenez, bateu de frente com o governador João Doria e afirmou que o chefe do Executivo estadual quer “mandar em todos os municípios”, afirmando que irá manter o decreto municipal que permite a reabertura parcial do comércio na cidade.

Nesta quinta-feira (23), o governador havia citado nominalmente a cidade de Sertãozinho e Jaboticabal, afirmando que iria tomar medidas judiciais caso os prefeitos decidam manter a abertura do comércio.

“Nosso governador não aceita, não conversa com os prefeitos. Está acima de tudo. Ele faz o discurso dele, vira as costas e vai embora. Nem pra tirar uma foto ao lado do coitado do prefeito”, disse Gimenez

Segundo ele, o governador está atrapalhando a rotina dos prefeitos. “Esse tom ameaçador do governador está afastando o governador dos seus parceiros, dos seus municípios. Estado sem prefeitura não é nada. Nos municípios é onde tudo acontece”, disse.

A declaração foi dada ao radialista Linconl Fernandes, durante o programa Thathi Repórter, do Grupo Thathi de Comunicação.

Tucanato

Zezinho era integrante histórico do PSDB, mas deixou o partido recentemente após divergências com o governador. Ele defendeu, entretanto, que o decreto que libera o comércio em Sertãozinho é técnico. “Ninguém está fazendo nada político, nem pessoal. Se existe uma coisa política, é o debate entre o governador e o Bolsonaro. O que Sertãozinho fez foi baseado em técnica. Mas o governador não aceita que a gente use as recomendações do Ministério da Saúde. O que a gente percebe é que ele quer mandar em todos os municípios”, disse.

Ainda segundo ele, Dória abraça funções que não são sua responsabilidade. “Eu acho que o governador está esquecendo que a grande responsabilidade, Aliás, única, é do prefeito. Não é o governador quem vem aqui e vê se falta leito, se tem remédio, se as UBS estão funcionado”, afirma.

Outro lado

Em nota, o governo do estado de São Paulo alegou ser inadmissível que alguns prefeitos atuem de forma isolada para alterar radicalmente o decreto da quarentena. “O Estado considera inadmissível e pouco razoável que alguns prefeitos atuem de forma isolada para alterar radicalmente o decreto da quarentena. O contato direto e a orientação aos prefeitos é feito periodicamente pela Secretaria de Desenvolvimento Regional. O distanciamento social e a redução drástica da circulação de pessoas são as principais iniciativas para mitigar a propagação do novo coronavírus e evitar o colapso do sistema de saúde nas 645 cidades de São Paulo” disse a nota.

*Post atualizado as 16:54

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