Na pandemia, prefeitura não comprou nenhuma cesta básica para pessoas carentes, afirma secretário

Declaração foi dada em depoimento á Câmara de Ribeirão; ele diz que um processo de compras está em andamento

Zero. Esse é o número de cestas básicas que a prefeitura de Ribeirão Preto comprou para o atendimento da população carente da cidade durante o período da pandemia, iniciado em março deste ano. A informação é do secretário da Assistência Social, Guido Desinde, em depoimento aos vereadores na Câmara de Ribeirão Preto.

Questionado pelo vereador Jean Corauci (PSB), Guido admitiu que, até o momento, a prefeitura só distribuiu cestas que ganhou. “Você sabe muito bem que, para comprar, é preciso ter verba. Estamos licitando dez mil cestas”, disse o secretário.

Questionado sobre quantas foram efetivamente compradas, ele admitiu que a prefeitura “não comprou nenhuma até o momento”. Ele afirmou, ainda, que a demora se deve aos trâmites burocráticos. O secretário afirmou, entretanto, que não há prazo para a entrega das dez mil cestas citadas por ele.

Sem licitação

Corauci, por sua vez, afirmou que a prefeitura tinha mecanismos para fazer compras emergenciais. “Pra fazer algumas coisas, que a prefeitura julgou importantes, foi da noite para o dia”, disse o parlamentar, que citou a locações de ambulâncias, feiras sem licitação, e o processo para contratação de empresa para fazer os tapa-buracos.

“Para dar cesta básica para a população carente, para as pessoas comerem, que não aparece na live, a prefeitura não teve interesse”, disse. “De concreto, março até hoje, a prefeitura não comprou uma única cesta básica” , afirmou.

Análise

Segundo o sociólogo Murilo Soares, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), a questão demonstra a prioridade da administração municipal. “Não conheço a realidade de Ribeirão Preto em específico, mas, em termos gerais, é evidente que a prefeitura poderia ter feito processos emergenciais nesse caso. Parece-me uma opção, já que muitos processos de dispensa de licitação foram feitas no setor da saúde, por exemplo. No caso da assistência social, isso também poderia ter ocorrido”, conta.