CPI ouve funcionários da prefeitura sobre ‘farra das ambulâncias’

CPI investiga contratação de empresa que aluga ambulâncias por R$ 1,1 milhão; investigações prosseguem

Reunião na Câmara de Ribeirão Preto - Foto: Divulgação

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) cujo objetivo é apurar a dispensa de licitação na locação de ambulâncias para a Secretaria de Saúde, pelo valor de R$ 1,1 milhão, realizou sua primeira oitiva na manhã desta quinta-feira (21). Foram ouvidos os servidores municipais Marcela Santos Cândido Costa e José Ricardo Magallini.

Conduzida pelo presidente da CPI, vereador Orlando Pesoti (PDT), Marcela, que ocupa o cargo de agente administrativo financeiro na Secretaria da Saúde, foi a primeira a ser ouvida.  Por quase duas horas a servidora respondeu aos questionamentos elaborados pelos vereadores.

Segundo ela, a empresa SOS Assistência Médica, que venceu a compra, foi chamada para oferecer orçamento a pedido de Jane Aparecida Cristina, assessoria direta de Sandro Scarpelini, secretário da saúde.

Destaque para a justificativa para o envio, durante o fim de semana, em seu e-mail pessoal, de pedidos para a SOS Assistência Médica, a vencedora do processo. “Ela me perguntou se eu tinha feito a cotação com a SOS, que eu não conheci. Como estava atrasada e precisava ir pra casa, achei mais fácil fazer o contato de casa”, disse.

Marcela ainda informou que não percebeu o fato de a proposta enviada pela SOS ser datada de sexta-feira, 20 de março. “Ela não teria como saber, porque fiz a consulta no domingo. E recebi a proposta da empresa no dia 22 de março”, informou ela, que acredita que o erro teria sido “de digitação”.

Mais oitivas

Depois, houve a oitiva do José Ricardo, motorista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ele é o responsável por confeccionar as escalas do Samu. Ele confirmou, inclusive, que também é contratado pela SOS. Em ambos os casos, ele mantém escala de 12horas trabalhadas por 36 de folga. Significa que, somadas, as jornadas são de 24 por 36.

“[A SOS] Vem a ser uma opção de segunda renda, mas não exerço o trabalho de motorista. Sou atendente no período noturno”, disse.

Segundo o vereador Orlando Pesoti (PDT), presidente da CPI, os depoimentos foram valiosos e demonstram que existem situações a serem investigadas. “Algumas situações foram esclarecidas e pudemos notar que existem indícios de irregularidade. Vamos seguir com as oitivas e com a apuração”, disse.