Guerra entre facções do crime coloca Ribeirão em alerta

Audios e vídeos divulgados pelas redes sociais apontam confronto entre PCC e CV por pontos de droga na zona Oeste de Ribeirão

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Audios e vídeos circularam, nesta semana, dando conta de uma disputa, na zona Oeste da cidade, entre duas facções criminosas: o PCC, nascido na capital paulista, e o Comando Vermelho (CV), facção carioca. O palco da disputa é o Parque Ribeirão Preto e o Jardim Progresso, tradicionais pontos de venda de entorpecentes na cidade.

Em um vídeo, no qual aparecem armas de grosso calibre, integrantes da facção paulista ameaçam pessoas da cidade que estariam dando apoio à investida do CV. A situação foi confirmada pela reportagem do Grupo Thathi com moradores da região. “

“Já chegou o salve, a gente foi avisado que já está havendo guerra”, disse um morador na região, que pediu para não ser identificado.

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Viatura da Polícia Militar Foto: Rede social

O enfrentamento entre facções na zona Sul de Ribeirão Preto teve início em setembro passado, quando três homens foram executados no alpendre de uma casa no Jardim Progresso.

Naquela noite, foram mortos com vários tiros Adenilson Araújo Mota, 22, Ronaldo Alves dos Santos, 38, e Alex Fernando da Silva, 38. A mãe de Alex relatou aos policiais militares que quatro homens desembarcaram de um carro e atiraram nas vítimas. Os criminosos usavam coletes à prova de balas e toucas ninjas.

A mulher relatou ainda, quem um dos executores mandou que ela deitasse, o que ela não o fez de imediato e, nesse momento, o filho pediu para que ela assim o procedesse, senão seria morta.

Briga

Alex Silva, também conhecido como “Alex Onça” ou “Lagarto”, era liderança de uma facção criminosa paulista, no Jardim Progresso. Depois que ele foi morto, os comparsas descobriram que o trio foi executado por integrantes de uma facção rival, ainda no âmbito da mesma célula da organização que eles integravam.

Desde então, os assassinos foram jurados de morte. Para revidar a sentença declarada, os envolvidos na matança procuraram integrantes do CV, baseados no Rio de Janeiro, e propuseram um acordo: em troca de proteção, eles seriam os homens da facção em uma disputa pelo controle do tráfico de drogas no território da facção que Alex fazia parte.

Realidade

Embora não tenha havido confrontos até o momento – pelo menos não que tenham sido divulgados publicamente – o clima é de medo entre os populares. Há dezenas de áudios circulando pelas redes sociais e os moradores confirmam a autenticidade das mensagens, bem como a liderança de quem os enviou.

“O clima é de medo. Não dá pra dizer que o povo aqui esteja tranquilo. A gente sabe que a qualquer momento pode haver confronto”, informou outro morador.

A reportagem falou com quatro policiais militares, que, reservadamente, confirmaram que as autoridades têm ciência da questão. Nenhum deles falou oficialmente sobre o assunto, mas todos confirmaram que as incursões na região estão sendo feitas com efetivo maior. “Está todo mundo sabendo e estamos adotando as medidas”, disse um cabo da PM ouvido pela reportagem.

A reportagem tentou falar com representantes da Polícia Civil, mas ninguém quis se pronunciar sobre o assunto.