Entenda como funcionava o esquema que explorou transexuais em Ribeirão Preto

Quadrilha é acusada de também praticar tráfico de pessoas, trabalho escravo e uso ilegal da medicina

Foto: Reprodução Grupo Thathi.

Deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira (13), a “Operação Cinderela” prendeu preventivamente em Ribeirão Preto seis suspeitos de participar de um esquema de exploração sexual, tráfico de pessoas e trabalho escravo, envolvendo vítimas transexuais vindas do Norte e Nordeste do país. Mesmo com buscas em diferentes pontos da cidade, quatro indivíduos não foram encontrados e já são considerados foragidos.

A coletiva de imprensa concedida pela PF não divulgou as identidades dos presos, mas afirmou que eles atuavam como aliciadores. Nas redes sociais, faziam promessas às transexuais e diziam que, a partir da prostituição, elas poderiam passar por transformações corporais. “Eles as traziam para Ribeirão e forneciam comida e hospedagem. Com isso, as vítimas já chegavam endividadas e se tornavam reféns dos criminosos”, explica a delegada Luciana Maibashi Gebrin.

Existe a informação de que um dos indiciados também seria o responsável por promover as tais transformações. Entre os procedimentos listados pelos investigadores estão aplicações de silicone nos seios, nos glúteos e também cirurgias. Por isso, a quadrilha deve responder pelo crime de exercício ilegal da medicina.

Foto: Reprodução Grupo Thathi.

Ao todo, 38 vítimas foram encontradas e constatou-se que a organização atuava com pelo menos dez grupos, em diferentes bairros. O caso tornou-se possível após duas aliciadas conseguirem fugir para denunciar os abusos. Ainda de acordo com a delegada, uma delas teria apenas 14 anos.

Para um outro integrante da operação, o procurador da República André Menezes, o esquema mostra como a pressão exercida pelos criminosos criava um clássico caso de escravidão moderna. Elas deviam, eram obrigadas a trabalhar, se drogar e recebiam cobranças em formas de agressão e ameaça.

Relatos apontam até para suicídios e homicídios de vítimas. Algumas não teriam suportado as agressões e outras teriam sido assassinadas por não pagarem as dívidas ou por se submeterem a procedimentos estéticos inseguros. Ao longo da investigação, foram encontrados indícios de julgamentos em “tribunais do crime”.

Como a prostituição é considerada um tipo de trabalho no Brasil, a procuradora do Trabalho Cristiane Sbalqueiro também atuou no processo que culminou nas prisões desta terça-feira (13). Ela explicou que um dos objetivos da “Cinderela” foi expor como as pessoas da comunidade de transexuais precisam ser inseridas no mercado. “Todos têm o direito de exercer qualquer profissão”, completou.

Fotos obtidas pela Reportagem mostram como era uma das casas onde as garotas eram mantidas pela quadrilha. Confira.

Ao fim da coletiva, também foi informado que as vítimas que desejarem retornar para as cidades de onde saíram vão receber auxílio. Agora, as buscas pelos quatro foragidos continuam.

Reportagem: Murilo Badessa.

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