Transtornos de personalidade: psicopata X personalidade antissocial – é doença?

Olá, pessoal!

Quando falamos de doença psiquiátrica, dentre as diversas patologias, temos alguns tipos de comportamentos característicos que expressam maneiras das pessoas viverem e de estabelecerem relações consigo mesma e com os outros. São distúrbios da constituição e das tendências comportamentais, não diretamente relacionados a alguma doença, lesão, afecção cerebral ou outro transtorno psiquiátrico.

O sujeito simplesmente nasceu e desenvolveu tais comportamentos maior ou menor influenciado pelo meio em que vive. Fatores constitucionais, sociais ou existenciais que serão solidificados formando esse conjunto de traços pessoais constituindo uma personalidade anormal. Porém, a depender do juízo crítico individual e do esforço cognitivo de cada pessoa, haverá um abrandamento nessas características e no sofrimento que cerca a pessoa e seus conviventes.

A predominância de determinados traços é o que define o tipo de Transtorno de personalidade.  Traços predominantes dominam e escravizam a maneira de reagir dessas pessoas de forma a causar sofrimento na pessoa, através de um estilo pessoal de vida mal adaptado, inflexível e que se torna prejudicial e compromete o seu desempenho. É importante salientar que as classificações dos tipos de Transtornos de Personalidade dizem respeito à forma da personalidade, ao modo de agir e reagir e não ao conteúdo psíquico e vivencial da pessoa.

Resumidamente, os transtornos de personalidade são maneiras problemáticas de ser, constantes e perenes.

Dentre inúmeros tipos de transtornos de personalidades, destacaremos a Antissocial, ou “do psicopata”. As definições de Sociopata, Psicopata, Personalidade Psicopática, Personalidade Antissocial ou Dissocial são consideradas sinônimas. Essas personalidades apresentam marcantes traços de dificuldade no controle dos impulsos, quadro que se apresenta, por exemplo, no transtorno explosivo ou impulsivo da personalidade, piromania e cleptomania. Esses transtornos são todos caracterizados por problemas no autocontrole emocional e comportamental. Na prática, a característica essencial desse transtorno da personalidade é uma inclinação natural e persistente de desrespeito e violação aos direitos dos outros, iniciando-se na infância ou começo da adolescência e continuando indefinidamente na idade adulta.

O engodo e a manipulação são aspectos centrais desse transtorno da personalidade e, além da violação dos direitos básicos ou sentimentos dos outros, também há contravenção de normas ou regras sociais importantes. Estas pessoas podem mentir repetidamente, usar nomes falsos, ludibriar ou fingir.  

As características que chamam atenção e causam maior impacto nas relações interpessoais são:

Sedução/manipulação – Embora não seja uma regra absoluta os psicopatas serem encantadores, é expressivo o grupo deles que utilizam o encanto pessoal e a capacidade de manipulação de pessoas como meio de sobrevivência social. Através do encanto superficial o psicopata acaba usando as pessoas certas e na medida de suas utilidades, descartando-as depois.  

Mentiras sistemáticas e comportamento fantasioso – A personalidade antissocial utiliza a mentira como ferramenta de trabalho. Normalmente a pessoa com esse transtorno está tão habilitada e habituada a mentir que é difícil perceber quando mente. Ela é capaz de mentir olhando nos olhos e com atitude completamente neutra e relaxada. Essa frieza ao mentir é a responsável pela sistemática capacidade para ludibriar as máquinas detectoras de mentira.

Ausência de Sentimentos Afetuosos – Desde criança se observa na pessoa psicopata um acentuado desapego aos sentimentos e um caráter marcado pelo fingimento. A pessoa sociopata não manifesta nenhuma sensibilidade por nada, normalmente mantendo-se indiferente. Elas têm grande dificuldade para entender os sentimentos dos outros, mas, por outro lado, podem fingir magistralmente esses sentimentos quando socialmente desejável.

Amoralidade – Os psicopatas têm grande insensibilidade moral, faltando-lhes totalmente juízo e consciência morais, bem como noção de ética.

Impulsividade e Incorrigibilidade – A ausência de sentimentos éticos e altruístas, unidos à falta de sentimentos morais, impulsiona o psicopata a cometer brutalidades, crueldades e crimes. A pessoa psicopata nunca aceita os benefícios da reeducação, da advertência e da correção, mas podem disfarçar durante algum tempo seu caráter torpe e antissocial.  

Falta de Adaptação Social – Desde criança a pessoa antissocial manifesta certa crueldade e tendência a atividades delituosas, como por exemplo, o maltrato aos animais, às pessoas mais novas, mentiras continuadas, fugas, etc. A adaptação interpessoal também fica comprometida, tendo em vista a tendência acentuada do psicopata ao egocentrismo e egoísmo. E se podemos destacar duas características que resumem o antissocial são: ausência de remorso e manipulação.

O objetivo principal deste indivíduo é obter prazer para o ganho pessoal.

E como forma de agravamento desta condição, podemos dizer que “o psicopata” popularmente conhecido é aquele que, além de todas as características citadas, é capaz de matar e de cometer crimes bárbaros para obter prazer. Ele tem plena consciência do que quer e como fazer.

De acordo com um estudo norte-americano, a psicopatia acomete cerca de 3% da população mundial, sendo que nos Estados Unidos, os psicopatas representam cerca de 15 a 20% da população carcerária, estatística que se assemelha a situação nacional. Logo, esses indivíduos estão mais próximos do que se imagina. Nem todo psicopata irá matar ou cometer crimes, mas a crueldade é predominante.

Até mais pessoal!!