Quatrocentos e setenta

Em maio deste ano completei 25 anos de televisão só em Ribeirão Preto. Fiz as contas por alto e somei uns sete mil telejornais, programas e algumas centenas de reportagens. Por tudo isso peço desculpas se entrei na casa de muitos de vocês sem pedir licença, mas também agradeço a todos que diariamente responderam ao meu boa noite no encerramento dos noticiários que apresentei. .

    Pois meus caros, nesta semana me emocionei ao ver no Instagram um vídeo postado por um dos meus mestres no jornalismo aqui em São Paulo, o Rubens Zaidan. Ele apresentando um telejornal na EPTV e chamando a mim para uma entrada ao vivo do alto da nova torre da emissora que havia sido erguida num tempo recorde após a derrubada da torre original pelo famoso vendaval de 1994 que passou como um canudo pelo meio de Ribeirão Preto. Vi o retrato do repórter quando jovem. Cabelos de graúna e energia para subir mais dez vezes os 45 metros de escadas verticais daquela torre novinha em folha.

Não sei se acontece com vocês, mas quando me deparo com algum registro assim, dá um estranhamento do tipo “como eu consegui fazer isso? Será que conseguiria fazer o mesmo agora?” Parece que não sou bem eu que aparece ali naquele vídeo, como diria Ferreira Gullar, uma parte de mim – talvez.

    O fato é que agora, um quarto de século depois, sigo faceiro meu ofício de operário da notícia apresentando as reportagens do dia ao lado da Flávia Chiarello na RECORD TV. Cumpro meu ritual de dar “boa noite” no começo e na despedida do telejornal. No ouvido esquerdo uso um ponto eletrônico para escutar as orientações da editora-chefe Olívia Pereira. E no outro lado é a voz grave da consciência que adverte: “Seja educado com quem te assiste”. Este é meu mantra no telejornalismo.

    Mas quem me conhece fora do vídeo sabe que em média sou um cara alto-astral, gosto das histórias engraçadas e de tudo o que fuja da raiva e do ódio reinantes nas redes sociais. E não é que o Chaim me deu de presente a possibilidade de esticar os músculos da alegria aqui na THATHI FM.  O “Embalos de Sábado”, das 8h às 10h, ao lado do meu “parça” Régis Martins é puro prazer. Me sinto um alquimista da comunicação misturando de tudo um pouco prá ver se o que sai agrada a quem ouve no rádio do carro, em casa ou na internet.

    E para completar agora estou aqui me aventurando na seara da escrita. E no final deste texto explico que como não tinha um número pré-estabelecido de palavras para escrever fiz uma experiência: afinal, quanto espaço eu precisaria para contar uma história sem me alongar e nem ser muito sucinto?  Como diz o título, minhas crônicas terão em média 470 palavras.