Pandemia ou pandemônio

Conforme Boletim Epidemiológico da Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto, até o dia 01 de julho tivemos 27 óbitos, confirmados de Covid. No dia 30 de junho, acumulamos 156 óbitos. Incremento de 470%.

Considerada a experiencia internacional de países paradigmas que já passaram pela primeira onda da pandemia, com êxito imediato ou mais tardio tem-se os seguintes números, mais os do Brasil

  PANDEMIA População

Milhões

Óbitos

Total

Óbitos

Milhão

Óbitos

População

1 Coreia do Sul 51 282 6 0,001%
2 Japão 126 971 8 0,001%
3 Brasil 212 57 mil 272 0,027%
4 Itália 60 34 mil 575 0,057%
5 Espanha 46 28 mil 606 0,061%

Universidade Johns Hopkins / Worldometer 29/06/2020

Como se pode imediatamente verificar, a discrepância é enorme entre atingir 0,001% de óbitos na população, como no caso do Japão e da Coreia e 0,057% e 0,061% como no caso da Itália e da Espanha, conquanto, ambas, já tenham alcançado o controle da situação, tal que seu convívio inicia retorno a nova normalidade, com abertura, inclusive, das fronteiras ao turismo, excetuada a entrada de cidadãos de países onde a pandemia se encontra em curva ascendente, entre outros o Brasil onde a taxa de óbito, de 0,027%, ainda que seja, até o momento, metade da alcançada por elas.

E por que o Brasil, por que Ribeirão Preto, se encontram em curva ascendente de contágio se a experiencia internacional, ainda sem a vacina, já mostrou o caminho social e terapêutico de contenção da pandemia?!

Há pouco tempo tínhamos, e ainda temos, invasores da rede de saúde para filmar e denunciar leitos vazios de uma pandemia que supostamente só existe para criar pânico, permitir fraude em licitações, o enriquecimento de alguns governantes, como de fato ocorrem, como sugerem as ações da Polícia e do Ministério Público Federal e fechar o comércio para fortalecimento de um grupo político em detrimento de outro. Na versão mais assombrosa há quem afirme tratar-se de um plano mirabolante da China para dominar o planeta…

Nesse ambiente conturbado, anteriores medidas sanitárias de coordenação central do Ministério da Saúde são contestadas localmente e pelo próprio governo federal, enquanto panaceias salvadoras são recomendadas por gestores não especialistas e acirradamente defendidas. Gritaria ideológica, reclamos justos pela sobrevivência econômica das empresas e até do direito constitucional de ir e vir, abafa a voz dos especialistas em saúde. A regra base da testagem não é praticada.

A evitação da aglomeração e uso de máscara, para não ser contagiado e não contagiar, é pouco respeitada, inclusive pelo primeiro mandatário da nação, assim como nos bairros, enquanto o transporte público cartorial se mantém como vetor de transmissão, pela crônica e insuperável superlotação de seus veículos, invisível para a administração pública. Pela balburdia, pela desinformação de uns e pela difusão de falsas informações de outros, pelo titubeio, quando não pela omissão dos gestores, pela falta de orientação e coordenação a pandemia, controlada em certos locais, campeia e acelera, livremente, em outros. E na televisão o desfile diário dos desassistidos, da rede de saúde no limite, do choro e dos comunicados de que providências estão sendo tomadas…

Vivemos uma quádrupla crise: sanitária, econômica, administrativa e política, centrada na ineficiência de governantes que deveriam estar direcionando as políticas públicas emergenciais, de enfrentamento da pandemia, com os instrumentos da testagem e do distanciamento social, pelo escalonamento dos horários das diferentes espécies de atividades com descongestionamento do transporte público, a par da sustentação da renda de trabalhadores e empreendedores.

Se em meio a essa inoperância e balburdia, a essas idas e vindas, se puder, apesar dos percalços, avançar, com a atuação de outros agentes sociais e institucionais mais responsáveis das Associações Civis, Universidades, Ministério Público e outros, na contenção da pandemia, tanto melhor para todos nós que ao final venhamos a sobreviver.

Se, no entanto, seguir o tumulto, negacionismo, omissão, tergiversação, paralisia, desorientação, tanto entre uns e outros agentes públicos, quanto parcelas da população, e a incapacidade de coordenação e instauração de um ambiente de solidariedade, tanto nacional, quanto local, persistindo a subordinação das medidas sanitárias preventivas à conveniências que as desprezem ou ignorem, as consequências e o sofrimento serão tanto mais prolongados e atrozes.

Colaborou Deise Cristina Albuquerque Lins – Servidora – Dentista