O Tereré do Pantanal

Nutricionista e professora universitária Ana Carolina Port

A novela “Pantanal” está acabando mas seu sucesso deixou marcas. Entre elas o consumo do Tereré, bebida gelada consumida muito entre os peões que ganhou fama durante a exibição da novela.

Para quem não sabe ainda o que é, o Tereré é uma bebida gelada feita a partir da infusão da erva mate Ilex paraguariensis com água gelada, costume ligado à tradição Guarani e muito difundida na América do Sul. Por um acaso, esta erva é a mesma usada para fazer o famoso chimarrão dos gaúchos, porém temos diferenças fundamentais no processamento e também no consumo.

O tereré, além de ser servido gelado, tem que ser feito com uma erva especial menos moída, mais grosseira, que torna seu sabor mais suave em comparação ao chimarrão. A erva do tereré é submetida a um processo de aplicação de calor rápido chamada de sapeco que determina o sabor amargo do produto final e evita a oxidação das folhas, posteriormente sendo desidratada em fornos específicos conhecidos como carijós ou barbacuás. O preparo da bebida é feito na Guampa, copo feito de chifre de animais que pode ser revestido com outros materiais.

Já o chimarrão é servido com água quente, deve ser feito com uma erva mais moída e por este motivo observa-se que é uma erva com a coloração mais esverdeada em comparação à outra utilizada no tereré, tomando o cuidado sempre com a temperatura da água para não queimar o mate. É servida na Cuia, de formato específico, símbolo clássico do estado do Rio Grande do Sul,que pode ser feita de diversos materiais. 

A erva mate utilizada nos dois tipos de preparos vem sendo associada a benefícios à saúde, sendo inclusive aplicada em diversos setores como medicamentos, cosméticos, corantes, higiene pessoal e as bebidas clássicas.

Suas infusões podem apresentar propriedades antioxidantes, auxiliando na eliminação de algumas toxinas em nosso organismo, além de ser estimulante e diurética. Existem autores que afirmam inclusive que sua infusão, como no caso do tereré e do chimarrão, pode liberar várias vitaminas como A, C e E, tiamina, riboflavina, niacina, potássio, magnésio, cálcio, manganês, ferro, selênio e outros compostos como flavonóides e a cafeína. É coisa pra mais de metro! Porém, vale alertar que não é uma panaceia e que não adianta sair consumindo erva-mate abusivamente já que tudo em excesso tem seus malefícios. Assim como outros chás, erva possui alguns fatores que chamamos de anti-nutricionais, que, quando consumidos em excesso, podem atrapalhar a absorção de nutrientes em outros alimentos.

Caso queira experimentar, vale tentar ao longo do dia, substituindo aquele café pra acordar, já que é uma bebida altamente revigorante. Só não se assuste com o sabor, já que é uma bebida amarga que para paladares mais doces pode ser inicialmente desagradável! Pesquise na internet as formas de preparo já que existem dicas para amenizar o amargor, aumentar a refrescância, as ervas específicas.

Ana Carolina Port, Nutricionista Clínica com Aprimoramento em Nutrição Pediátrica e Mestre em Ciências pela FMRP/USP, aprimoranda em Transtornos Alimentares pelo Ambulim IPq/USP, Docente Universitária, Colunista do programa Alto Astral da TV Thathi de Ribeirão Preto.

Atendimento com abordagem sem dieta baseada em Entrevista Motivacional, Comer Intuitivo e Mindful Eating.

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