O Enem e o PSDB

PARTIDO “GUARDA-LIVROS” – Todo mundo sabe que o PSDB governa com a cartilha dos contadores na mão. Ou guarda-livros, como se dizia antigamente. O importante para os tucanos é que as contas estejam em dia, o que é muito louvável numa administração pública. Quem não entende muito é a sempre reclamona população que não teve acesso às melhores faculdades de economia, ninho da intelligentsia tucana.

TUCANATO LOCAL – Em Ribeirão Preto, foi assim com Welson Gasparini, Roberto Jábali e agora Duarte Nogueira. O importante são as contas em dia. Gasparini controlava o caixa com mão de ferro, mas não gostava de ser cobrado por um Conjunto Habitacional construído em cima de um lixão. O simpático e bonachão Jábali queria mostrar que era possível governar como se administra a própria empresa. Vendeu a Ceterp por um preço que talvez na iniciativa privada não fosse tão bom negócio assim. E agora Nogueira tenta domar a herança do IPM sem mudar o semblante quando lhe perguntam de AMES prometidos na campanha.

ECONOMIA E EDUCAÇÃO – E foi o PSDB quem consagrou a ideia de que para conduzir os rumos da educação, não precisa ser educador. Em 1998, o economista Paulo Renato Souza vinha de uma bem-sucedida carreira no Banco Mundial para assumir o Ministério da Educação no governo FHC. Impressionado com a experiência nos Estados Unidos, onde seus filhos precisaram apenas de uma avaliação das notas do ensino médio para ingressar em Universidades, Paulo Renato encasquetou de fazer uma versão brasileira do sistema.

É PRÁ JÁ! – A educadora Maria Inês Fini presidia o Inep, autarquia ligada ao Ministério da educação, responsável por estudos e pesquisas da área. Paulo Renato perguntou a ela se dava para fazer. No final de 1998 já estava sendo aplicado o primeiro Enem, maior prova do país, porta de entrada para universidades públicas e privadas sem vestibular. De volta ao cargo em 2016, Maria Inês foi exonerada por Jair Bolsonaro por conta de umas questões paralelas.

REDAÇÃO DE ECONOMISTA – Maria Inês Fini é palestrante de abertura da Primeira Feira Escolha a Escola, no Ribeirão Shopping (28/09) e pode contar esta história para quem quiser ouvir. Paulo Renato só não gostou da ideia da redação no Enem. Inconcebível para um economista quantificar a qualidade de trinta linhas escritas pela estudantada. O que ele não contava é que a turma do Inep tinha a solução.

TEXTO PODE SER MEDIDO – Que tal estabelecer uma pontuação que vai até 1.000 e dividir em cinco partes de 200 pontos? Forma, proposta, coerência, coesão e conclusão (ou solução). Não tinha como dar errado.  Maria Inês – a idealizadora do Enem – ouviu de Paulo Renato: “Ah, agora sim”. Era tudo o que um economista no Mec poderia esperar. Um texto que coubesse na cartilha da contabilidade. E assim, em meio a números, nascia a redação do Enem.