O dinheiro de Ribeirão

Esta terra tem muito dinheiro. Não é pouco não. É um dinheiro grosso e muito mal distribuído. Desde já, alerto que esta coluna fala em termos estatísticos e não ideológicos.

Pois meu caros, para justificar esta afirmação preciso apresentar um termo que até pouco tempo eu desconhecia. E você? Já ouviu falar em passivo bancário? Descobri com um amigo recente, excelente entendedor no mercado financeiro. Explicou-me que passivo bancário é todo o dinheiro que os bancos devem aos seus clientes. Em outras palavras, tudo que está depositado nas agências bancárias.

O passivo bancário de Ribeirão Preto é de R$ 150 bilhões de reais!!!!. Sabe lá o que é isso? Pois é. Eu também não sabia. Precisei fazer algumas divisões para ter uma noção mais concreta do que isso representa. E antes que você se pergunte, este número é possível de ser confirmado no Banco Central, segundo minha fonte financeira.
Esta montanha de dinheiro corresponde a 50 orçamentos de Ribeirão Preto. Numa conta rasa, sem pensar em juros, crescimento da cidade e outros penduricalhos, seria possível imaginar uma linha do tempo de meio século com o município pagando todas as suas contas sem o contribuinte desembolsar 1 real de IPTU!!! Dinheiro para saúde, educação, asfalto, IPM, tudo quitado por 50 anos.

E se dividíssemos a babilônia monetária pelo número de habitantes de Ribeirão Preto? REPITO: este texto é meramente uma especulação estatística, empírica, sem fundamento científico, antes que me xinguem de comunista. Vamos aos números: R$ 150 bilhões divididos por 700 mil habitantes resultariam em R$ 214 mil depositados na conta de cada morador de Ribeirão Preto, de você que lê este texto, passando pelo bebê de 6 meses e chegando até o “casqueiro” que pede moedas na rotatória, afinal para fins de IBGE são todos filhos desta terra.
Mas não podemos ser tão radicais porque os tempos estão muito espinhentos. Vamos brincar só com metade desta tutaméia bancária. Deixemos R$ 75 bilhões bem guardados para os seus legítimos donos e vamos ratear os outros R$ 75 bilhões. A bufunfa daria a cada família de 4 pessoas uma poupança de R$ 420 mil. Todo mundo morando numa boa casa própria, né?

Tá certo. Eu sei que mesmo se fosse possível transmutar esta operação matemática em vida vivida, as coisas não seriam assim. Não acredito que a satisfação das necessidades materiais – como muita folga na hipótese em questão – criaria o wonderful world sertanejo. Mas de qualquer maneira, sou um jornalista que gosta de estimar números, volumes, multidões. Um dos meus passatempos é tentar adivinhar a conta do supermercado antes da moça do caixa. E olha que sempre chego muito perto. Estimando o valor para cima, é claro.

E por isso eu reforço, meus caros. Esta reflexão é apenas para se ter uma ideia do que significam R$ 150 bilhões na terra do…Na terra da… Na terra do que mesmo?