Mistificação, estupidez e populismo: a educação em Ribeirão Preto

Ontem, 04, foi aprovado o regime de urgência da inclusão na pauta legislativa a votação sobre a expansão do convênio com as Organizações Sociais (OS’s) para a ampliação de vagas na educação infantil da cidade, que conta com um déficit estimado de 3400 vagas, de acordo com a Promotoria de Ribeirão Preto. Se aprovado, o projeto encaminhado por Felipe Elias Miguel, atual Secretário da Educação, promete criar 2509 novas vagas.

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Embora já tenha tratado da calamitosa situação financeira da prefeitura, arapuca/herança de outras administrações – criminosas e populistas, vale retomar a temática. Fui um dos primeiros a praguejar e lamentar a indicação de Suely Vilela como primeira gestora da educação municipal. Reitero, Suely fez da Secretaria da Educação o que fez com a Universidade de São Paulo: piorou o que já era lamentável. Relembrou o período em que tive o desprazer de ser discente na Universidade sob sua reitoria.

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Ademais, a pasta sempre foi um terrível vespeiro da administração municipal, comandada, mesmo que indiretamente,  por caciques que há tempos deveriam ver o sol nascer quadrado. Trata-se de um dos segmentos mais engessados da estrutura pública. Mudá-la demanda culhões, força política e inteligência. Não aconteceu, mas as demandas não cessam. A proposta de Elias Miguel, longe de ser algo ideal, é o que tem para hoje. Não se trata de uma cura, mas apenas um analgésico para os sintomas mais graves.

Mas o que são as OS’s? São contratos entre o poder público e um poder público não estatal, normalmente composto por associações e entidades civis sem fins lucrativos, de cunho filantrópico. Não são empresas prestadoras de serviços com fins lucrativos.

Neste ponto, reside a demagogia semeada por inúmeros agentes políticos e do setor. Sob discursos inflamados, histriônicos e profundos como um pires de café, esses indivíduos alardeiam sobre a privatização ou terceirização definitiva do setor. Cuidado, caro leitor, pois as eleições municipais batem à porta. Berros microfônicos e manifestações sindicais raramente oferecem algo propositivo.

Criticar por criticar apenas revela oportunismo e falta de caráter. “Mas o governo não deu continuidade ao Plano Municipal de Educação”, “terceirizar é diminuir a qualidade do ensino” são argumentos estritamente políticos e birrentos. As famílias da cidade precisam imediatamente das vagas, não de proselitismo, muito menos estão preocupadas com a tranqueira do PME.

Não há mais espaço para soluções miraculosas e seus zurrantes vendedores. Que em 2020 surjam propostas melhores, fiscalmente responsáveis. Por enquanto, reafirmo que não é o ideal, mas é o que tem para hoje. E é hoje que a ausência dessas vagas é dolorosamente sentida. As mães das 2500 crianças atendidas, com toda a certeza, agradecerão. Que os sindicalistas e oportunistas esperneiem pelados por aí. Ninguém mais liga.