Indefinição eleitoral e fogo cruzado: mais perdidos que cego em tiroteio

Imagine a cena: dois sujeitos resolvem duelar. Ambos pegam seus revólveres, contam trinta passos, viram-se a começam a atirar. Agora imagine que esses dois sujeitos são deficientes visuais, ou seja, cegos. Alguns tiros atingem diversos objetos, entre eles alguns próprios amigos e o cavalo que sempre o carregou. Essa é uma das interpretações que faço da expressão: mais perdido do que cego em tiroteio.

É o que venho observando, durante esse ano de 2020, acontecendo com diversos partidos políticos e candidatos a prefeito e vereador.

O fato é que, com esse panorama de pandemia da codiv-19, até poucas semanas atrás, pouco se tinha de certeza quanto à realização ou não das eleições em 2020, embora nessa coluna refutássemos veementemente a possibilidade de extensão dos atuais mandatos, ainda que em razão da pandemia.

Hoje, o adiamento é praticamente certeiro, entretanto, deve se realizar em apenas algumas semanas em relação à data inicialmente proposta. Existe um consenso entre o Tribunal Superior Eleitoral, Congresso Nacional e estudiosos da saúde quanto à viabilidade desta alteração de data.

Em razão deste panorama de incertezas, muitos candidatos estão se sentindo totalmente perdidos quanto ao melhor momento para se lançarem como pré-candidatos. Afinal uma queima equivocada de cartucho, pode deixa-los desguarnecidos no combate principal.

Outros, por sua vez, não tem medido as consequências de uma pré-campanha desorientada, realizando atos de divulgação que seriam proibidos até mesmo durante a campanha. Neste caso, o complicador é que, apesar da memória do brasileiro ser curta, a memória das assessorias de campanhas adversárias não. Desde 2019, e até mesmo antes, os grupos organizados e experientes estão guardando materiais que deverão ser objetos de contestação judicial e contra-campanha durante o período oficial de campanha eleitoral. Pessoal, por favor: outdoor não! Ou pelo menos, contrate uma orientação especializada para as sutilezas necessárias.

Alguns pré-candidatos tidos como experientes vêm queimando cartucho de outra maneira: desde 2019 passaram a apresentar suas armas contra os futuros candidatos que já detém mandato eletivo, no afã e ansiedade de arranhar a imagem deles. Se esqueceram, na ansiedade pela briga, que a memória do eleitor é curta e, a repetição dos fatos usados anteriormente, no período da campanha, já não tem tanta força quanto a bomba meticulosamente colocada de surpresa nas estruturas adversárias. Mais importante do que ter uma bomba em mãos, é saber onde coloca-la e o momento exato de detonar. Caso contrário, você não passará de uma Coréia do Norte, exibindo seus mísseis ocos, antes do combate que nunca ocorreu. E, por enquanto, a vantagem é toda do adversário detentor de mandato.

Relevante lembrar a ambos os modelos de pré-candidatos acima, que certos movimentos que vem sendo realizados podem se caracterizar como propaganda antecipada, gerando uma multa futura que pode chegar a vinte e cinco mil reais, ou, até mesmo abuso de poder político/econômico/religioso, o que pode trazer até mesmo a cassação do registro do futuro candidato.

Estamos em momentos delicados politicamente. Toda e qualquer postagem, neste instante, pode tomar duas alternativas: ser alvo de intensas críticas nas redes sociais, já que a política não tem sido tão bem vinda aos olhos da sociedade como um todo, fazendo com que esse pré-candidato queime a largada eleitoral ou simplesmente não faça surtir o efeito necessário para alavancar a campanha do futuro candidato, fazendo, assim um esforço inútil. Não se sabe se, com o adiamento da votação as datas originárias para convenção, registro e início da campanha sem mantém. As instituições responsáveis indicam que sim, mas pouco se tem de certo.

Alguns estão queimando largada e outros dormindo no ponto, mas o que se observa em comum entre ambos é: a maioria não está sendo bem orientada:

–  Hum…Cheirinho de trapalhadas no ar! Gostinho de eleições judicializadas, superando as eleições de 2016, que são, até então, recordistas de ações judiciais no prazo de quarenta e cinco dias de campanha.

Desta maneira, a procura por profissionais especializados e estratégicos é sempre uma garantia de geração de economia para a futura campanha, já que estes são preparados para orientar o candidato a realizar a melhor modalidade de campanha com o menor custo e minimizando os riscos. Lembre-se, candidato, as eleições são uma espécie de guerra judicial e de marketing, e, como numa batalha real, vence quem está melhor preparado e mantém as melhores equipes e o poder de fogo melhor utilizado.