Curiosidades do Jardim Paulista – Parte 1

Paulo Afonso Atal nasceu na rua Camilo de Matos, ano de 1949, localizada no quarteirão abaixo da rua Meira Júnior (atual avenida Meira Junior) e é quem nos conta estas histórias.

O seu avô paterno morou na rua Henrique Dumont até o início de 1948 e comprou um lote na rua Orlândia para onde se mudou de mala e cuia para a casa número 242, hoje 324. Naquela época não havia nenhuma infraestrutura no bairro por exemplo quem quisesse água teria que perfurar um poço (cisternas).

O loteamento original do bairro, cujos terrenos possuíam 12 metros de frente por 44 metros de fundo, cuja característica ainda hoje atrai as Construtoras, esse loteamento iniciava-se na esquina da rua Camilo de Matos com a Avenida Meira Júnior, subia paralelamente em linha reta até o final da rua Albuquerque Lins onde encontrava-se com a rua 13 de Maio (atual av. 13 de Maio).

A rua 13 de Maio fazia uma parábola, entre as ruas José da Silva até a rua Itararé, fechando irregularmente na rua Guarujá indo até a rua Camilo de Matos, essa é originalmente a planta da VILA “Jardim Paulista”, cujo proprietário loteador foi o Sr. Sebastião Martins Vianna.

O trecho limítrofe do loteamento, da rua Camilo de Matos, até rua D. João VI até o Mosteiro de São Bento foi uma chácara pertencente a Ordem de Nossa Senhora do Monte Oliveto (Latim: Ordo Sanctae Mariae Montis Oliveti) dos padres da Igreja Santo Antônio e Sete Capelas.

Fonte : PMRP
disponível em:
https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/splan/loteamento/paulista.pdf

Há que se lembrar que o Jardim Paulista de hoje até os anos 70 mais ou menos, era somente chamado de Vila Paulista, não somente esse aglomerado urbano, como também os primeiros moradores da rua Henrique Dumont já eram considerados moradores da Vila Paulista.

A última ponte do Retiro Saudoso que fazia a ligação do centro da cidade com a Vila Paulista ficava na confluência das ruas 7 de Setembro e D. João VI. O encontro entre as ruas Henrique Dumont e D. João VI inclusive foram pavimentadas com paralelepípedos, pois com a construção do Ginásio da Cava do Bosque para sediar os Jogos Abertos de 1952, era necessário tornar o acesso mais fácil.

Daquele trecho em direção ao alto da Vila Paulista não havia calçamento, era terra pura e mato.

Foto acervo particular. Armando O. Vianna com seu violão (pai do Zequinha Vianna) e minha tia Lygia Vianna Borelli, filhos de Sebastião Martins Vianna, em frente à casa (sede da faz.) que ficava em frente ao salão do Ipê (ainda existente nesta época) a rua Jose da Silva 602, Jardim Paulista, ano 1951/52, hoje é um edifício residência Jardim Paulista.

Na esquina das ruas Camilo de Matos e D. João VI, em direção à então rua Meira Júnior iniciava-se a chácara pertencente aos Olivetanos, onde hoje é o Jardim Mosteiro. Existiu ali também um campo de futebol chamado “Buarque”, onde disputavam-se jogos pelo campeonato amador da cidade, inclusive com participação do time Bangu, formado por moradores das redondezas, esse time amador deixou de existir em meados dos anos de 1960 devido ao loteamento.

Campo futebol do alto do Mosteiro de São Bento – década 50 – foto de acervo particular de Maria Inês Pedro Bom – Grupo LembrançasRibeirãopretanas.

O loteamento dos bairros Jardim Paulista e Mosteiro, nos anos 60 o esporte passou a ser praticado no alto de São Bento, entre onde hoje é o posto Mosteiro e o Assai, pois a rua Meira Junior terminava onde inicia a rua Orlândia (rua que permanece fechada devido problemas da pedreira).

A rua Henrique Dumont já nos anos 60 demonstrava ser uma via de grande importância pois ali trafegava em mão dupla os ônibus da Viação Cometa com destino a São Paulo. Nessa rua existe ainda hoje um pé de tamarindo contando mais de 120 anos (onde é estacionamento da IURD), uma maravilha da natureza.

Bem na frente desse pé de tamarindo havia uma capelinha, que segundo o Prof. Rubem Cione, em História de Ribeirão Preto, volume III, 1ª edição, pag. 419, denomina de “ A CAPELINHA MILAGROSA” diz: “Quem andava pela rua Henrique Dumont, observava do lado direito uma capelinha com muitos quadros e estatuetas de Santos, restos de velas queimadas, e outras acesas no chão, flores murchas, que sempre eram renovadas, na parede ao lado uma grande cruz embutida e embaixo um nome de mulher: Magali (deveria ser este o nome). Nesse lugar, um casal de noivos vinha de semi trole da fazenda para a cidade, para cumprir as formalidades matrimoniais. Um espanto do cavalo, seguido de solavanco brusco na carruagem, a noiva tombou do assento para debaixo das rodas. Teve morte instantânea. Para assinalar o lugar, plantaram uma cruz de madeira. Todos os anos, quando relembravam a data do dia fatídico, as famílias dos trabalhadores rurais vinham em procissão pela estrada (atual Via Anhanguera) cantando canções tristes, orar diante da cruz, orar pela alma da infeliz noiva.”

Nesse lugar, em determinada época foi construído um supermercado “Alô Brasil” que retirou a capela e depois de insistentes pedidos dos moradores foi reconstruída, porém a capelinha foi novamente derrubada quando a área foi comprada pela Igreja Universal.

Em breve continuação.

Paulo Afonso Artal, aposentado da CPFL, amigo a alguns anos, compartilhamos muito sobre a história de Ribeirão Preto, algo que temos em comum é a do Jardim Paulista, bairro onde nascemos, resgatar estas lembranças e mostrar a todos é perpetuar a história.

Fotógrafo Tony Miyasaka, aérea década de 1950/60, centro de Ribeirão, na parte superior o Jardim Paulista e o Mosteiro São Bento