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Crise ética por excelência

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Em meio à Pandemia vivemos também uma “mudança de época”. Com Frei Nilo Agostini dedilho algumas linhas sobre esse tempo que nos obriga a grandes mudanças de hábitos, de comportamento e até mesmo de certa urgência ética. Esta “mudança de época” nos traz a sensação de esvaziamento, de ausência de sentido e de normas, de incerteza e de crise. Por causa disso, fala-se até em crise da Modernidade; estaria então, emergindo a Pós-modernidade.

Esta é a hora em que a ética ou a moral deverão fazer-se presentes, sendo cultivadas em nossa vida como uma preciosidade que não pode faltar. Precisamos delas para organizar a nossa vida e os espaços de convivência em favor de um equilíbrio da vida. Sem isso, caímos facilmente em modelos que nos corrompem e nos levam a perder o equilíbrio; às vezes podem nos levar à falência. Ter por base a moral e a ética significa recuperar a nossa capacidade de saber cuidar da vida, organizá-la pessoal e socialmente, sem perder de vista o seu valor, a sua dignidade, alicerçando-a em valores em favor da vida de cada ser humano e que se estendem ao cuidado da natureza e incluem necessariamente o cultivo de Deus.

Em meio à Pandemia e às rápidas transformações de nossa sociedade, identificamos uma crise que é do humano. Ela é também identificada como uma crise ética por excelência! Os fenômenos desta crise, mesmo aqueles aparentemente exteriores, nos atravessam por inteiro e profundamente; dizem, inclusive, quem somos neste momento da história. Esta crise apresenta traços nítidos em seus contornos, profundidade e extensão. Ela está criando um desequilíbrio das bases vitais do ser humano, atingindo suas raízes mais profundas, que chamamos de ethos. Face a ela, urge resgatar o vital humano em suas diversas dimensões.

A crise trazida pela Pandemia revela-se como uma crise que nos desestabiliza em nossa base mais profunda, na raiz ou identidade mais profunda do humano, que chamamos de ethos. Já não estamos mais diante do consenso da sociedade de nossas origens. Vivemos uma crise porque nossa identidade mais profunda fragmentou-se. Não temos mais um modo consensual de ser e de viver; isto atingiu o ethos. Assim, nossa “matriz” de percepção, de avaliação e de ação não nos dá mais a base comum para vivermos em sociedade. Esta se tornou pluralista e policêntrica. Frente a esta crise, faz-se necessário buscar a mediação da regra, numa produção ética das instâncias normativas e da própria moral para sustentar o ser humano em sua vida pessoal e social. Sem uma moral, não conseguimos viver com segurança; precisamos de rumo na vida e de balizas norteadoras.

A moral tem, portanto, o seu lugar de mediação; ela nos faz pensar nas normas, nas regras de comportamento, nos princípios e nos valores que orientam o agir humano. É bem verdade que ela pode assumir uma perspectiva legalista, personalista ou dinâmica; pode apresentar-se como ciência, como ensino ou doutrina, ou como prática, com um sentido negativo, quando evocada no seu sentido moralizante, ou positivo, quando se baseia na autenticidade, coerência e sinceridade.