Caminhando ao Deus Dará

Muito já se falou sobre a falsa polemica entre vida e trabalho. Abre tudo, fecha tudo. Falta de gestão eficiente no combate a pandemia, com o vetor transporte público, aglomeração e falta de informação exercendo papel preponderante. Não era preciso nem consultar os búzios para saber que as coisas não andariam tão bem quanto se gostaria.

Verdade que Ribeirão Preto mostra sinais de estabilidade na taxa de crescimento de novos casos de contaminação. Estabilidade na taxa, ou seja, continuamos crescentes em contaminação, porém, em ritmo cadenciado, não explosivo. No entanto, os vetores de contaminação continuam presentes na cidade. Nossa rede de saúde no limite, praticamente paralisada no atendimento de outras doenças e cirurgias e leitos de UTI desativados pela administração. Bairros inteiros vivem como se covid não houvesse e o transporte público lotado, como sempre. Regredimos por excesso de confiança de uns, falta de conhecimento de outros e omissão.

Ah, mas então vamos começar a fechar tudo de novo?! Vamos todos morrer de fome!!!

Recentemente foi divulgada pesquisa realizada com o pessoal do HC/USP de São Paulo onde foram testados 15 mil servidores e terceirizados que lá trabalham. Destes apenas 6% de todos os profissionais que circulam nas UTIs covid apresentaram contaminação pelo vírus. Já entre o pessoal de atividades não médicas, sem contato direto com pacientes covid, 45% foram positivos para o contágio. Ou seja, condições de vivência e transporte coletivo, mais uma vez, confirmados como fatores de contágio, coisa aliás sabida desde os primeiríssimos doentes desceram na Europa de aviões vindos da China.

Claro, portanto, que não se trata de fechar tudo de novo, salvo se atingirmos um ponto de total descontrole. De outra parte é fato que em ambiente controlado, como de uma UTI ou de um Centro Cirúrgico, a disseminação de microrganismos pode ser bem controlada, como visto na pesquisa com o pessoal do HC, desde que se tome os cuidados básicos de não contaminação, estabelecidos desde 1847, pelo médico húngaro Ignaz Semmelweis, que era e é o de lavar as mãos entre cirurgias e partos e com isso reduzir em 99% as mortes de parturientes. Faz tempo.

Infelizmente, chegamos onde chegamos pelo fla-flu político do combate a pandemia, hora negando sua existência, ora propagandeando drogas não comprovadas, ora incentivando aglomerações. Mais a falta, desde o primeiro momento, de um escalonamento do horário das diversas espécies de atividades tal que a aglutinação de pessoas no transporte e nos estabelecimentos fosse diminuída. Fizemos praticamente o contrário: diminuímos o horário de atendimento e o número de ônibus, agravando as aglomerações.

Não sendo tomadas as devidas cautelas pessoais e as coletivas, dependentes da administração pública, independente das omissões e desacertos a pandemia seguirá seu curso natural. Parcialmente minimizado por parte da população informada e cumpridora do distanciamento social, que não significa o médico não ir a UTI, mas sim ir lá devidamente protegido. Até que uma ou mais vacinas, em breve, se espera, possam, oferecer algum grau de imunização prévia, esse é o caminho que a ciência ensina desde o século XIX. Vindo as vacinas, que serão muitas, estaremos melhor, ainda que com o fla-flu correndo, pois já se ouvem os murmúrios de um princípio de movimento antivacinal dos arautos da gripezinha. Os que sobrevivermos estaremos lá.

Colaborou Deise Cristina Albuquerque Lins – Servidora – Dentista