Bitcoin X ouro, papel e moeda

Leonardo Castro - foto: Arquivo Thathi

Ele é uma das grandes estrelas do momento no mundo virtual. Mas, apesar de estar com os holofotes e as atenções voltadas para si, o Bitcoin ainda gera curiosidade e muitas dúvidas. Criado pelo programador não identificado, conhecido apenas pelo nome de Satoshi Nakamoto, o Bitcoin é uma moeda digital, de código aberto, que não depende de uma autoridade central para circular. Entre outras coisas, o que faz o Bitcoin ser único é o fato de ele ser o primeiro sistema de pagamentos global totalmente descentralizado. Ainda que à primeira vista possa parecer complicado, os conceitos fundamentais e suas particularidades não são difíceis de compreender.

Atualmente, com sua cotação próxima dos R$330 MIL, a moeda digital ganhou os holofotes no mundo dos investimentos, sendo pioneira e protagonista das criptomoedas. A primeira transação que se tem notícia de sua utilização como meio de troca se deu em maio de 2010, quando “Laszlo” trocou uma pizza por 10 mil Bitcoin – em retrospecto, pode ter sido a pizza mais cara do mundo, pois o valor equivale a R$3,3 bilhões, pela cotação de abril de 2021. Assim, o questionamento que permeia a cabeça de muitos é: “O Bitcoin passará a ser aceito, amplamente, como meio de troca?”. Vamos tentar responder essa pergunta mostrando algumas vantagens da moeda frente a seus pares.

No quesito durabilidade, o Bitcoin supera tanto o ouro quanto o papel-moeda (salvo o improvável caso de a internet inexistir no globo terrestre), uma vez que não sofre com alteração espacial ou temporal, fato presente no papel moeda – podendo ser destruído facilmente – e na barra de ouro que sofre com o desgaste natural.  No que tange à divisibilidade, há um limite físico pelo qual o ouro pode ser fracionado, o que não ocorre com o papel-moeda (qualquer denominação pode ser impressa em uma cédula). Nesse quesito, a moeda digital sai mais uma vez em vantagem por ser perfeitamente divisível devido à possibilidade de adicionar quantas casas decimais forem necessárias.

Ademais, é na sua escassez relativa, que moeda digital se destaca quando contrastado com o metal precioso e com as moedas de papel. Assegurada por meio da criptografia e da ausência de terceiros fiduciários capazes de aumentar a oferta monetária por meio da emissão de substitutos de moeda, a oferta inelástica de bitcoins é parte inseparável do seu protocolo. Por fim, o Bitcoin reúne em um mesmo sistema de serviços comumente providos por uma quantidade enorme de intermediários (bancos, bancos centrais e casas de liquidação), enquanto um sistema monetário baseado no ouro ou em papel-moeda jamais poderia dispensar tais terceiros fiduciários.

Em suma, o Bitcoin introduz inovações antes inconcebíveis pela mente humana. Todavia, respondendo à pergunta central do artigo, a criptomoeda está passando por um constante processo de monetização, e enquanto a volatilidade perdurar, por conta da especulação dos agentes, dificilmente ele será adotado amplamente como unidade de troca. Assim, um sinal que o Bitcoin atingiu um estágio avançado de desenvolvimento será o momento em que a moeda digital for uma reserva de valor, como é hoje, e um meio de troca universalmente aceito.

Leonardo Castro

Graduado em administração de empresas pela Mackenzie-SP) e pós-graduado em Finanças Econômicas (FGV). Atuou em diversas áreas de risco (Risco de Mercado, Liquidez, Operacional, Crédito e Contraparte), com 11 anos de experiência em bancos de investimentos dentro e fora do país.

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