O Judiciário não resolve os problemas de família

Confira a opinião do advogado e jornalista Eduardo Schiavoni sobre a atuação do Judiciário em conflitos familiares

É preciso ser franco em relação ao assunto. O Judiciário, salvo casos muito específicos, é sempre a pior opção para resolver os conflitos familiares.

Essa frase costuma assustar muitos clientes, especialmente os que procuram um advogado para descarregar seus frustrações e raivas relacionadas ao outro genitor da criança. Mas nem por isso é menos verdadeira.

A vida familiar equilibrada e saudável passa pela presença de todas as figuras familiares na vida da criança. Obviamente, existem diversas possibilidades de composições nas famílias, mas o que une todas elas é a necessidade de os integrantes abordarem de forma franca e aberta seus problemas e dialogarem em busca da melhor solução.

São os integrantes de cada família que conhecem as próprias dores. Ao terceirizar as decisões e a responsabilidade para uma pessoa que não conhece absolutamente nada sobre a dinâmica das relações de cada família, no caso o juiz, a chance de decisões insatisfatórias é muito maior do que as decisões satisfatórias.

Além disso, participar do processo de construção das alternativas faz com que seja possível o diálogo. E, num processo onde o diálogo existe, com a real intenção de preservar a criança, os adultos envolvidos acabam se comprometendo com as decisões tomadas de forma muito mais intensa e verdadeira do que quando a decisão vem de outra pessoa.

Obviamente, existem casos onde a situação exige a presença de alguém de fora – como quando são cometidos crimes contra o menor, ou quando existe danos causados ao psicológico dos pequenos. Mas são situações de exceção.

Tomar as rédeas do próprio destino, dialogando e colocando o bem-estar do menor em primeiro plano, é certamente a melhor opção para garantir uma decisão saudável para todos os envolvidos. E não é o Judiciário o caminho para que isso ocorra.

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