A imaginação não gera a insanidade. É a razão que faz isso.

O negativismo é uma onda que vivemos na atualidade e irrita-me demais. O ser humano, em grande número, traja uma veste de negatividade, desconfiança e decepção antecipada com muitas coisas. O que é certo na vida é que essas infelicidades, sonhos despedaçados, tudo isso, faz parte da nossa evolução e só com esse ideário conseguiremos crescer como sujeitos. Infelizmente, pelo amor é difícil de aprender e ser ensinado, mas o que se aprende pela dor dificilmente é esquecido.

Minha filha só aprendeu a andar de bicicleta após alguns tombos. Só sabemos que amamos de verdade depois de perder um amor verdadeiro. Só valorizamos o emprego que temos quando o desemprego nos ameaça. Voltando a minha filha, ela só terá prazer em fazer uma viagem após deixar de ir a baladas vazias e economizar para tal.

Não observo isso atualmente. O que percebo são pessoas especializadas em drenar o otimismo de um grupo ou pessoa, gerando negativismo e maldade generalizada. Isso tem o mesmo efeito de um câncer maligno. Exemplificando no meu campo de atuação onde me dedico há quase 30 anos, se recebermos dois reais de aumento num vale alimentação, logo um negativo brada que “o importante é aumento no salário”. Se um projeto é oferecido como forma de melhor trabalhar na escola, aparece rapidamente outra pessoa dizendo “não temos apoio da direção ou valorização pelos alunos”.

Conselhos de classe não valorizam os bons resultados das classes no geral e apenas focam nos problemas dos que não atingem suas médias. O tão aguardado bônus da educação paulista, pago anualmente, é uma novela mexicana onde sobram vilões com opiniões pessimistas e faltam pessoas centradas em entender os resultados. “Não é justo, veio muito pouco” é o que mais se ouve. Porém, quando o governo passa as avaliações que geram os números que quantificam o pagamento do bônus, o desinteresse por elas é gritante, com muitos professores até desestimulando os alunos a oferecerem o seu melhor.

No quesito leitura, fico decepcionada com o quanto vejo de professores que não leem ou justificam qualquer coisa para não fazê-lo. Pesquisas sérias afirmam que o professor é o segundo maior incentivador de leitura, atrás apenas da mãe. Posso falar pelo que vejo no mundo docente. Certa vez fui ridicularizada em uma sala de aula porque comentei que precisávamos ler mais. Percebe-se então o descaso de quem deveria ser o exemplo. Ignorar o lado negativista das coisas é o primeiro passo. Não ouvir estes negativos é uma missão moral do nosso tempo.

No campo da política o professorado se digladia. Nas manchetes somente o que é errado impera, como com um juiz que coloca corruptos na cadeia em sentenças confirmadas em segunda e terceira instância, mas o que dá frisson é as mensagens supostamente trocadas entre ele e os procuradores de justiça. Beira o ridículo muitos quererem o fracasso de um governo que acabou de começar só para terem razões em suas minúsculas discussões. Com a reforma da previdência, os negativistas antes não a aceitavam de jeito nenhum, contudo, com a aprovação na Câmara, o discurso agora é “se o meu partido estivesse no governo, a reforma seria mais justa”.

Contudo, muitos do que assim falam são aficionados por um partido que ficou quase 16 anos no poder e não ofereceu nada de melhoria nesta área. Menos hipocrisia, por favor! O que se entende então é que muitos sites pelegos ligados a partidos lançam manchetes desonestas e distantes da realidade somente para serem compartilhadas em redes sociais e manipulares a opinião das massas.

A democracia é que nem o livro Grande Sertão: Veredas. Muito falado e comentado e pouco lido ou praticado. O que se pode entender nisso é o que aconteceu com o poeta Cowper, que enlouqueceu não pela super imaginação de seus escritos poéticos e sim porque a lógica, a predestinação das ideias pré-construídas tirara-o o juízo.

Os homens não enlouquecem quando sonham e quando são otimistas. O que enlouquece muitas pessoas é a razão, a lógica, os fatos. A falta de pensamento lógico, de analisar fatos, de mesurar ideias e de debatê-las argumentativamente é o que enlouquece muitas pessoas, vítimas do mal do negativismo, do grito em vez do diálogo.

Não ser negativo é a primeira atitude de quem quer ser melhor e fazer parte de um mundo melhor. Procurar entender as coisas por meio da análise e da leitura é outra. Assim, todos procurarão se entender, aprender, pelo amor e não pela dor. Essa não melhora e nem constitui ninguém.