A direita brasileira é uma piada. De mau gosto

Perdi as contas das vezes que entrei nessa discussão, algumas delas com amigos. Falo isso desde meus 17 anos e continuo firme na opinião: o Brasil não tem direita.

Sim, e mantenho isso mesmo com o surgimento de gente que se diz de direita, mas que, de direita, tem muito pouco ou quase nada, como diria a música.

Vamos, primeiro, esclarecer. A direita é, por definição, adepta do liberalismo. Defende, entre outros princípios, a redução do papel do Estado na economia e tem como um de seus pilares a liberdade individual.

Não há sentido em se dizer de direita e defender, por exemplo, a intervenção estatal, seja na economia seja nos costumes. Liberal é liberal, não dá pra ser meio liberal, tanto quanto não dá para ser meio botafoguense ou estar meio grávida. Algumas coisas ou se é, ou não.

A direita prega a menor participação do Estado na economia para fomentar o desenvolvimento. Acredita que o Estado não é capaz de promover com agilidade e dinamismo as alterações que a economia necessita. Deve, portanto, se ater a áreas onde sua participação é fundamental, como prover a garantia de acesso das pessoas aos serviços fundamentais, bem como regulando a atuação do mercado para corrigir eventuais distorções.

Tem uma leva de gente, principalmente nas redes sociais, que não tem ideia de que é Roberto Campos. Que não tem a menor ideia de quem foi Burke,  Friedman ou Kirk. É esse tipo de gente que se arvora a última bolacha do pacote da direita brasileira.

Nesse sentido, convém trazer o olhar para a figura do presidente Jair Bolsonaro (PSC). Não se pode negar a inteligência política: sem uma única proposta concreta, arrebanhou o sentimento antipetista e viabilizou-se como contraponto à corrupção vermelha mesmo reunindo, em si, todas as características de um candidato nanico.

Estupidez em série

Bolsonaro dá declarações estúpidas em série. Defende publicamente a nomeação de um filho para uma embaixada; ofende a mulher de um chefe de Estado ao chamá-la de feia; defende abertamente a ditadura e as execuções cometidas pelos militares, isso para ficar apenas no mais básico. Já se posicionou de forma sexista, ostentou preconceito contra negros e nordestinos, criticou abertamente gays e quis censurar campanhas publicitárias do governo, assim como a imprensa. A verdade é que não consigo sequer entender como um governante que se porta dessa forma conseguiu se eleger e permanecer no cargo. É um mistério. E olhe que essas críticas partem de alguém que não tem qualquer afinidade pelo ideário esquerdista.

Esse ideário simplesmente não encaixa no que se define direita. É vergonhoso, inclusive, ser relacionado a esse tipo de pensamento, especialmente quando você prega a liberdade máxima do indivíduo. Essa fixação em controlar o pensamento e as opções das outras pessoas não é democrática, e a direita é, antes de tudo, uma defensora ferrenha da democracia.

Não se trata de, pessoalmente, ser a favor ou contra as relações homossexuais, o aborto, a liberação das drogas. A opinião pessoal de cada é um território que não diz respeito a ninguém, exceto a própria pessoa. Você pode ser contra todos esses pontos acima, e isso não o torna um progressista. A questão é que um verdadeiro liberal não pode defender que o Estado tenha o poder de se intrometer na vida de quem defende tais pontos de vista. Da mesma forma que não pode aceitar a intervenção estatal na economia.

Não é compatível com o ideário liberal o uso dos poderes de polícia do Estado para impor aos demais os seus valores ou obrigá-los a rezar pela sua cartilha. Isso é exatamente o oposto do que deveria defender. Considero preocupante e extremamente sintomático essa verdadeira jabuticaba política brasileira. Diz a frase, atribuída ao genial Tim Maia, que no Brasil puta goza, cafetão tem ciúme e traficante é viciado. Poderíamos incluir mais uma pra lista. Onde gente de direita defende a interferência do estado na vida das pessoas.