Pioneira, Ribeirão Preto apresenta equipe de futsal down feminino

Equipe foi lançada em julho e apresentação oficial será no mês de setembro; projeto precisa de apoio financeiro para viagens e competições

A cidade de Ribeirão Preto tem uma equipe de futsal down masculina desde janeiro de 2019. Aos poucos, o time foi crescendo e, além dos meninos, meninas também entraram para a equipe. A forte participação feminina, entretanto, possibilitou a criação de uma equipe exclusivamente para as meninas. O projeto foi realizado pelo Associação Sem Fronteiras e conta com atletas com Síndrome de Down, Deficiência Intelectual e surdas.

“Antes, nossas atletas treinavam de forma bastante cautelosa, com os demais atletas. Mas, com o crescimento da entidade, conseguimos formar uma equipe feminina. Os treinamentos passam agora a ser mais eficazes, ajudando o desempenho de cada atleta”, afirma Luciane Faria, vice-presidente da Associação.

Segundo Demétrius Nogueira, um dos fundadores da Sem Fronteiras, a equipe feminina é a primeira do país. “Formar a primeira equipe brasileira feminina de Futsal de Down é um grande presente para o nosso projeto, que passa por tantos problemas, mas, mesmo assim, apresentamos ao segmento uma nova proposta. Agora, vamos torcer por uma Copa do Mundo de Futsal Down Feminino”, ressalta Nogueira.

O crescimento do futsal down na cidade e região teve influência do Mundial que aconteceu entre o fim de maio e o começo de junho, em Ribeirão Preto. O projeto existia antes e ajudou a organizar a competição. Para Abrao Dib, um dos apoiadores, o Mundial ajudou a dar visibilidade ao projeto. “Foi uma ajuda mútua”.

A craque

Um dos destaques do time feminino é Mariana Cristina de Carvalho, 31, aluna do Centro de Educação Especial Egydio Pedreschi. A jogadora começou no time masculino e foi decisiva na Copa Magnus, em 2018, fazendo o gol da vitória que garantiu à equipe o terceiro lugar.

Mariana conta que  sempre gostou de futebol. Ela se destacava nas aulas de educação física e, há dois anos, quando foi montado o time de futsal down, e ela era a única menina. Com os meninos, ela disputou campeonatos em Cravinhos, Itabira, Lindoia e São Paulo. Inclusive, participou da primeira Copa Brasileira de Futsal Down, em 2017, realizada em Ribeirão Preto.

Segundo a mãe da jogadora, Eunice Aparecida de Carvalho, o futsal é prioridade na vida da menina. “Hoje a vida da Mariana se resume ao esporte. O futsal é uma coisa que está no sangue dela. Ela não tem outro objetivo que não seja jogar, viajar e competir”, ressalta Eunice.

Agora, Mariana tem um novo desafio, liderar a equipe feminina. Para Eunice, a menina nunca teve medo de enfrentar os meninos e sempre teve um espírito de liderança, mas com uma equipe feminina, ela vai se soltar mais.

“Ela é bem competitiva, não tem medo e jogava de igual para igual com os meninos. Só que com as meninas, ela vai se sentir livre e vai se soltar ainda mais. Acredito que as meninas terão muito sucesso, principalmente por ter treinos totalmente voltados para elas”, diz a mãe.

Parceria e treinos

A Associação Sem Fronteiras fechou a parceria com o Comercial em julho deste ano. O acordo era uma exigência do Confederação Brasileiro de Desportos Inclusivos para que nas competições só participem quem possua o apoio de um time profissional.

A Associação não possui sede própria, mas os treinamentos ocorrem todos os sábados no Complexo Esportivo All Star Games. Desde o início das atividades, os treinamentos ocorriam na quadra do Arnaldo, que também foi cedida gratuitamente por mais de seis meses para o projeto.

“O local é cedido gratuitamente para as nossas atividades. Além da equipe feminina, temos também times de futsal masculino de meninos com Síndrome de Down, Deficiência Intelectual e surdos. Todos treinam simultaneamente, entre 10h e 12h, todos os sábados, em diferentes quadras”, disse Matheus Nogueira, diretor da Associação.

A equipe feminina de futsal down do Comercial/Sem Fronteiras deve fazer a apresentação oficial nas quadras no mês de setembro, na cidade de Luiz Antônio. A organização prepara uma festa para o dia. “Estamos aguardando uma resposta de outras Entidades que também querem formar uma equipe para participar desse amistoso com nossas meninas”, afirmou Luciane Faria.

Dificuldades

Sem nenhum apoio governamental, o Comercial/Sem Fronteiras precisa obter os recursos para a confecção dos uniformes que serão utilizados durante amistosos, Copa Paulista, Campeonato Brasileiro e, possivelmente, no Mundialito na Argentina.

“Recebemos diversos apoios e ajudas, mas as vendas das cotas de patrocínio nos uniformes seria a sobrevida do projeto até o final do ano. E infelizmente isso não vem ocorrendo. Talvez não poderemos participar de alguns torneios. Em outros, talvez tenhamos que fazer a ‘vaquinha’ para recolher os valores necessários para transporte, alimentação, medicação etc.”, conta Barbosa Junior, voluntário do Comercial/Sem Fronteiras.

A equipe tem expectativa de que as empresas da cidade possam contribuir para o fortalecimento do projeto. “A nossa expectativa é de que o empresariado de Ribeirão Preto e da região possa ajudar esse nosso trabalho’, afirma Junior.