Ex-árbitro aponta que gol da Ponte com bola furada foi irregular

Regra do futebol não permite que jogo siga com bola furada, mas jogadores do Botafogo não se atentaram a essa situação e lance foi determinante para derrota da equipe

A temporada de 2019 tem reservado uma série de acontecimentos marcantes para a trajetória do Botafogo no Campeonato Paulista. O último deles, talvez o mais inusitado, ocorreu no lance do gol da vitória da Ponte Preta contra o Tricolor na última segunda-feira (4), no Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas. Após um chute de Matheus Oliveira, o goleiro Darley fez defesa com o pé esquerdo e neste momento a bola raspou na trava da chuteira do camisa 89 e furou. Com a bola furada, Matheus Vargas aproveitou o rebote e concluiu para as redes, determinando assim a vitória da Macaca, por 2 a 1.

O que os jogadores do Pantera não sabiam é que este gol ocorreu de maneira irregular. “A regra 2 do futebol, que fala especificamente sobre a bola, diz que quando a bola perde as suas características e fica defeituosa o árbitro tem que impugnar o lance, interromper a partida e reiniciar a jogada com bola ao chão”, garantiu o ex-árbitro Evandro Luiz Silveira, que integrou o quadro de arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF) e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

O próprio Darley percebeu no momento que a bola havia furado e quem constatou mesmo o ocorrido foi o zagueiro Ednei. Foi ele quem buscou a bola na rede após o gol e o primeiro a perceber o estrago. “Na hora que o Darley fez a defesa, eu vi que a bola fez um movimento estranho e fez o barulho como se estivesse estourado. Peguei a bola, saí em direção ao árbitro e falei que a bola estava furada, mas ele já estava em direção ao meio de campo, os jogadores da Ponte comemorando e também nós não sabíamos que ele poderia voltar o lance devido ao problema da bola ter furado”, ressaltou o defensor.

Ao invés de fazerem uma pressão na arbitragem por causa da bola defeituosa, os jogadores não se atentaram para a questão e o próprio Ednei se livrou da bola. “Cabia até um dedo dentro do buraco que foi feito pela trava da chuteira do Darley, acabei ficando nervoso e dei um chutão na bola para fora. Se eu soubesse que poderia ter voltado o lance devido ao estouro da bola eu teria até ido mais para cima do árbitro, mas essa é uma regra desconhecida e praticamente ninguém sabia que o lance poderia ter voltado”, disse.

Evandro Luiz Silveira salienta que o árbitro Vinicius Furlan, que trabalhou no duelo entre Ponte Preta e Botafogo, não deve ter sido avisado de fato sobre a bola furada e faltou um pouco mais de contundência na reclamação por parte dos jogadores. “O árbitro nem viu essa questão da bola ter perdido suas características. Os jogadores deveriam ter chamado mais a atenção dele em relação a esse fato, mostrado que essa bola estava com problema e assim ele poderia ter mudado a decisão dele naquele momento. A bola não fura se bater na rede, então com certeza essa bola perdeu as características antes, então se o árbitro tivesse uma boa percepção do que ocorreu ele deveria ter parado o lance”, finalizou.

O Botafogo volta a atuar pelo Paulistão nesta sexta-feira (8), às 18h45, no Estádio Santa Cruz, diante do Bragantino. Com 4 pontos, o time botafoguense está na penúltima colocação e dentro da zona de rebaixamento.