Dmitri Abreu, presidente do Botafogo F.C. renuncia

O mandatário panterino alegou motivos pessoais para a decisão de deixar o comando diretivo do tricolor

Foto: Flávio Santos

 

Dmitri Abreu não é mais o presidente do Botafogo F.C. Ele renunciou ao cargo na reunião do Conselho Deliberativo na noite desta sexta-feira (27).

O advogado Eduardo Esteves leu a carta de renúncia.

Dmitri Abreu alegou motivos pessoais para a decisão de deixar o comando diretivo do tricolor de Ribeirão Preto.

Ele foi eleito por aclamação em 15 de abril passado.

O vice Oswaldo Festucci não decidiu ainda se assume o cargo.

Diretores e conselheiros presentes na reunião lamentaram a saída de Abreu.

A Carta Renúncia: 

Ribeirão Preto/SP, 27 de dezembro de 2019.


Ao
CONSELHO DELIBERATIVO DO BOTAFOGO FUTEBOL CLUBE
At. Sr. José Hermenegildo de Martin
M. D. Presidente


Prezado Senhor Presidente,

Desde quando assumimos a Presidência procuramos resolver nossas questões sempre de forma coletiva e em respeito ao E. Conselho Deliberativo.

Nunca na história do clube os Conselheiros foram tantas vezes convocados a participarem das decisões como nos últimos meses. Num trabalho em conjunto entre Diretoria e Mesa Diretora do Conselho realizamos mais de 13 reuniões para que o futuro do clube fosse discutido de forma ampla e democrática.

Após a fundação do Botafogo Futebol S/A a situação econômico-financeira da Associação Botafogo Futebol Clube entrou em colapso. As receitas foram para a nova empresa e as despesas/dívidas ficaram com o clube centenário.

O fim do repasse dos valores sobre o “Uso da Superfície” inviabilizou a gestão da Associação, pois acordos importantes como REFFIS e ATO TRABALHISTA deixaram de ser honrados por falta de receitas básicas.

Tudo isso aconteceu e foi levado ao conhecimento deste E. Conselho por nossa Diretoria.

Muitos dos nobres Conselheiros ficaram preocupados, poucos fizeram força para que isso fosse evitado, mas o pior foi assistir ao silêncio dos SERVOS, que estão, mas fingem que não estão trabalhando a serviço de um novo dono.

Mesmo assim continuamos a construir pontes e não muros. Buscamos viabilizar condições para uma composição com a empresa que fundamos, norteados pela busca da razoabilidade na relação societária, na tentativa de encontrar um ponto de equilíbrio nesta relação.

No dia 18/12/2019, após a reunião com os 3 (três) representantes nomeados pelo Botafogo Futebol Clube, enviamos uma Minuta de Acordo para a empresa TREXX.

Ressalte-se que os representantes enviados a São Paulo estavam legitimados a negociar, pois Alexandre e Virgílio eleitos neste Conselho e o Carlo como Diretor de Finanças do BFC. A negociação evoluiu, mas não a tempo de se construir uma Minuta final.

Ontem, dia 26/12/2019, essa Minuta retornou, mas com muitas alterações que não foram discutidas em reunião e, por não termos tempo hábil para discutir os pontos que foram unilateralmente alterados pela empresa sócia, requeremos por Ofício que a assembleia do E. Conselho rejeitasse a Minuta alterada.

Minha missão como Presidente eleito foi cumprida, pois a Minuta de Acordo não teve o aceite da empresa sócia nos termos que nós propusemos, mas é o nosso E. Conselho Deliberativo que deve, SOBERANAMENTE, decidir se aceita ou não essa última Minuta ou acordo.

Hoje no início da tarde, logo após receber a carta de renúncia de meu irmão Carlo Felippini, pessoa que muito admiro e respeito, percebi que não tenho condições de continuar nessa negociação.

Minha vida familiar e profissional já foram por demais sacrificadas e existem botafoguenses aptos e competentes que podem contribuir nesse processo de entendimento.

Um novo Conselho tomou posse para o próximo biênio e acreditamos que temos chance de resolvermos o destino do Clube com a participação dessas novas forças e lideranças.

Há um provérbio libanês que disse: “Quando o gato faz as pazes com o rato, quem sai perdendo é o dono do Armazém”. Desde 2014, os botafoguenses que se envolvem com as questões internas do clube passaram a travar uma guerra fratricida, onde não há e não haverá vencedores. Quem perdeu e perde com isso é a Associação centenária e única chamada BOTAFOGO FUTEBOL CLUBE.

Como não posso sacrificar mais minha família, também não posso sacrificar a FAMÍLIA BOTAFOGO.

Deixo a Presidência do clube que amo, mas não deixo minha paixão por esta entidade, que espero continue sobrevivendo.

Nossas ações sempre foram guiadas pelo respeito a Instituição Botafoguense e ao “Botafoguismo”. Nossos atos sempre foram comunicados a este Conselho Deliberativo e ao demais Poderes do Clube. Nunca deixamos contratos escondidos em gavetas!

Ao Presidente do E. Conselho peço perdão por não continuar e sinceras desculpas por não poder ajuda-lo a caminhar na busca de uma pacificação.

A todos os amigos Conselheiros e Conselheiras desejo sorte e discernimento para que nosso Clube continue a existir, além da força necessária para enfrentarem as dificuldades hoje existentes.

Meu respeito aos amigos e irmãos que fiz nessa caminhada. Não vou citar nomes para não esquecer de todos. Minha gratidão aos que se esforçaram para lutar pelo que acreditamos ser o certo e o possível.

Deixo também meu abraço a todos os irmãos e irmãs botafoguenses que acreditam na força da coletividade e no espírito associativo para unir pessoas em torno de uma organização social centenária.

Assim, na qualidade de Presidente Eleito da Diretoria, comunico a V.S.ª minha RENÚNCIA, nos termos do artigo 85 do Estatuto Social, ao cargo de Presidente do BOTAFOGO FUTEBOL CLUBE, por razões de ordem pessoal e, ao ensejo, apresento minhas desculpas por não poder continuar nessa missão.

Combatemos o bom combate e guardamos a fé…

Atenciosamente e muito obrigado pela confiança de todos,

DMITRI OLIVEIRA ABREU
Presidente do Botafogo Futebol Clube

 

 

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