Sem professor, escola manda aluna da primeira série para casa em Ribeirão Preto

Fato aconteceu na segunda-feira na escola Pedreira de Freitas, na Vila Virgínia; Secretária da Educação nega que houve dispensa

Aluna de sete anos foi mandada para casa por falta de professor na escola Pedreira de Freitas - Foto: Acervo Pessoal

Uma mãe de aluno de uma escola estadual de Ribeirão Preto denunciou que a filha, de sete anos, foi mandada embora da escola por conta da falta de professores. A mãe foi informada pela escola que teria que levar a filha para casa devido à falta inesperada de uma professora.

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Por volta do meio dia, Mariana Santos, 31, conta que, na segunda-feira, levou a filha para a escola José Pedreira de Freitas, na Vila Vírginia e, ao deixar a filha no local, foi informada por duas servidoras da escola que ela não poderia permanecer no local. A menina, de sete anos, estuda na primeira série do ensino fundamental.

“Eu saí do Planalto Verde e fui até a Vila Virgínia levar minha filha. Gastei gasolina, tempo e, ao chegar lá, fui informada que a professora tinha faltado e que não tinham substituto”, disse.

Indignada, a mãe foi até a Diretoria de Ensino de Ribeirão Preto, onde formalizou a reclamação. “Eu acho que a escola tem a obrigação de acolher as crianças, não mandar para casa. É responsabilidade da escola”, disse.

De acordo com Mariana, a Secretaria de Estado da Educação não forneceu, até o momento, nenhuma resposta à demanda. “Até o momento, ninguém me procurou”, disse.

Análise

De acordo com a Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o deficit de professores nas escolas da rede estadual de São Paulo é de 80 mil profissionais e isso explica situações como a ocorrida na escola. “Esse número representa 34% do quadro de docentes paulistas”. 

Segundo Fábio Sardinha, diretor estadual da Apeoesp em Ribeirão, há a necessidade de novos concursos públicos para preencher essas vagas. “Infelizmente, quem acaba pagando um alto preço é a população, como vemos hoje em Ribeirão Preto. Orientamos as mães a procurarem o Ministério Público caso situação não seja resolvida. A Apeoesp já está encaminhando nesse sentido”, disse.

Mais vezes

Segundo Mariana, não é a primeira vez que as crianças são mandadas para casa. Na terça-feira (5) anterior, também aconteceu a mesma coisa. Eu tive que me mudar do bairro, então tenho que atravessar a cidade para levar minha filha à escola. Isso não pode ocorrer”, disse.

Em nota, a Diretoria Regional de Ensino de Ribeirão Preto esclarece que “não houve dispensa de alunos no último dia 11 de novembro. Na ocasião, a professora da classe em questão teve uma emergência e na ausência de um eventual, os alunos foram remanejados para outras salas de 1º ano, porém, alguns responsáveis optaram por levar os estudantes embora. Um supervisor será encaminhado à unidade para acompanhar o caso. A DE está à disposição dos pais ou responsáveis pelos alunos para quaisquer esclarecimentos”.