Grupo de divulgação científica da USP mostra anatomia das fake news

Manual criado pelo Vidya Academics em parceria com o Pretty Much Science traz as principais fake news que estão circulando durante a pandemia e a explicação do porquê elas estão erradas

Fake News - foto: iStock
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Além de se proteger do novo coronavírus, é preciso também se prevenir das inúmeras informações e explicações erradas que circulam, principalmente pelas redes sociais. Para adquirir imunidade informativa o grupo de divulgação científica Vidya Academics, criada por alunos e docentes da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, em parceria com o Pretty Much Science, criou o Coronavírus – Manual das Fake News. 

A iniciativa começou com algumas postagens desmitificando mensagens e publicações no Facebook e no Whatsapp que desinformavam a população em suas redes sociais. “Havia muitas publicações que afirmavam que a doença não apresentava perigo aos jovens, que o vírus havia sido criado em laboratório e ensinavam inúmeras curas com chás e outras pseudociências” afirma Artur Acelino Queiroz, doutorando em Ciências pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP e colaborador do Vidya Academics. Após obterem um grande material, os organizadores decidiram compilá-lo em uma publicação, que é disponibilizada em duas versões, português e inglês.

Além de oferecer os conteúdos checados, a produção reuniu alguns dos elementos mais encontrados nas fake news. Semelhantemente a um check-list, o material permite que os usuários observem se o conteúdo recebido em suas redes sociais se enquadra à estrutura que as informações falsas costumam ter. Caso se enquadre, existe uma grande possibilidade dele ser falso ou impreciso, conforme explica Queiroz.

Para o pós-graduando, que também é um dos autores do conteúdo, o manual pode ajudar no combate às fake news sobre diversos temas, não apenas sobre a covid-19. “A partir das dicas e etapas que listamos, fake news de outras áreas – como política e história – podem ser checadas ou pelo menos identificadas antes de serem disseminadas. Essa é mais uma ferramenta para instrumentalizar tanto a comunidade acadêmica quanto a população em geral sobre como combater a disseminação de notícias falsas.”

https://www.youtube.com/watch?v=ESKJ2PFEc1A

O que diz o Manual das Fake News

O manual foi produzido por nove pessoas, Wasim Syed, Camila Magalhães, Artur Acelino Queiroz, Eduarda Moreira, Rayane Valez, Francisco Moro, Isabela Gonzaga, Vitor Serrão e Maurício Gardini, a maioria atuante na área da saúde.  Possui 15 orientações para a identificação de uma fake news, entre elas: não compartilhar imediatamente quando receber mensagens informativas; lembrar que as notícias inventadas são feitas para causar surpresas ou rejeição; suspeitar de conteúdos que causem reações emocionais fortes ou daqueles que dizem que a mídia quer esconder os fatos; ler sempre a matéria completa; descubra a fonte, ou seja, de onde se originou a notícia; confira dados e o contexto; e desconfie de experiências pessoais.

O manual também traz as principais fake news que estão circulando sobre a pandemia e a explicação do porquê elas estão erradas, com as fontes que embasam os esclarecimentos, como por exemplo que o clima frio e neve matam o novo coronavírus. “Não há razão em acreditar que clima frio e neve poderiam matar o novo coronavírus, uma vez que o vírus tem se espalhado em países de clima muito frio, como a Noruega e Islândia, e o corpo humano sempre se mantém, em condições normais, entre 36.5°C e 37°C, independente da temperatura externa ou do tempo”, explica Wasim Syed, coordenador do Vidya Academics. Outra fake news citada pelos grupos é a que coloca o alho como uma boa opção para se prevenir do novo coronavírus. “O alho é um alimento saudável que pode ter algumas propriedades antimicrobianas. No entanto, não há evidências no surto atual de que comer alho tenha proteção para as pessoas contra o novo coronavírus”, destaca Syed.

Texto: Jornal da USP

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