Alunos do núcleo 2 da Alma superam desafios de aprendizagem

Mesmo com aulas à distância em meio a pandemia, jovens confirmam progresso pedagógico na música

Imagem ilustrativa - Foto: Divulgação

Com o início das medidas de prevenção ao novo coronavírus (Covid – 19), em meados do mês de março do ano passado, com a suspensão das aulas presenciais e obrigatoriedade do distanciamento social, o planejamento pedagógico da Academia Livre de Música e Artes – Alma foi totalmente modificado e adaptado às novas condições impostas pela pandemia. Em seu núcleo 2, com atendimento de alunos de três escolas públicas das cidades de São Joaquim da Barra e Guará, a reformulação do método de ensino foi alinhada à realidade apresentada pelos alunos, sendo amplamente padronizada ao nível de aprendizado desses.

De acordo com Ladson Bruno Mendes, coordenador pedagógico da Academia, é importante ressaltar que os objetivos das aulas são os mesmos dentro de um processo didático, como capacitar e habilitar os alunos para a execução dos instrumentos, preparando esse jovem a partir de uma formação técnica e artística. “Com a pandemia, os objetivos não mudaram, a principal mudança, a partir desse período atípico, são as estratégias para que o aluno evolua mesmo com as aulas remotas, as aulas gravadas, as apresentações virtuais e os desafios tecnológicos”, enfatiza.

A formação básica de crianças no mundo da música, a adaptação a essa nova rotina, a continuidade do ensino com outras ferramentas e as novidades da tecnologia podem ser considerados os grandes desafios dos docentes e alunos do núcleo 2 da Alma, para manter o foco principal: a arte como instrumento de transformação social.

Diante desse processo diferenciado, o apoio familiar dos alunos pode ser considerado fundamental no desenvolvimento pedagógico individual de cada criança. Ivanildo Araújo é pai de Laisla Emanuelle Ferreira, de 11 anos, aluna de violino do núcleo 2 da Alma há mais de três anos, na cidade de Guará: “Eu como pai, percebi que houve um desânimo inicial, minha filha sentiu falta do contato com os amigos e também dos professores, mas com a rotina das aulas on-line, comecei a notar que ela não queria desistir, o que foi motivo de orgulho para toda nossa família, Laisla continuou e superou seus medos”.

Para a professora de violino do núcleo 2, na cidade de São Joaquim da Barra, Ayala Sousa, o acesso à internet foi uma dificuldade para ser superada, e o apoio da família foi essencial neste sentido. “Com as aulas remotas, nós, docentes, nos aproximamos mais dos pais dos alunos, principalmente neste núcleo, para que fosse garantida a participação das crianças neste método à distância. Como trabalhamos com a filosofia de educação musical Suzuki, priorizamos o ‘triângulo’, que é a participação do aluno, dos pais e dos professores de forma alinhada”, explicou.

O núcleo de São Joaquim da Barra e Guará (SP) oferece cursos gratuitos de canto coral, violino, violoncelo, flauta, clarinete e percussão, para 150 crianças com idade de 6 a 12 anos. Este núcleo é uma parceria entre Alma e Usina Alta Mogiana que, por meio do projeto Educando para o Futuro, atende aos alunos das escolas Sylvio Torquato Junqueira e Professor Creso Antonio Filetti (São Joaquim da Barra) e Professora Adelaide Garnica (Guará). Maria Aparecida da Silva Costa é professora assistente do núcleo 2. Em Guará, ela acompanhou diariamente o progresso desses alunos durante este período de restrições gerais. “O novo formato de aulas no ano de 2020 fez com que os alunos se adaptassem a uma nova realidade de aprendizado, por isso acredito que em 2021 estaremos mais otimistas, com mais flexibilidade para que o rendimento continue avançando, no ritmo de cada criança”, conclui.

Evolução dos alunos

Davi Bento Lopes da Silva, 13 anos, é aluno de violino do núcleo 2 da Alma há aproximadamente quatro anos, na cidade de Guará. Em relação à experiência com as aulas remotas, Davi se mostra confiante com seu processo de estudo e dedicação. “Longe dos professores, eu sentia mais dificuldade para lidar com o instrumento sem esse apoio mais próximo. Eu não sabia afinar o violino, por exemplo. Então, os professores me auxiliaram nas minhas dificuldades mesmo à distância, agora eu tenho mais independência e sinto mais segurança quando vou estudar na minha casa, com o ensino virtual”.

De acordo com Luísa Coelho, aluna de flauta do núcleo 2, em São Joaquim da Barra, as aulas digitais auxiliaram na sua concentração nos estudos. “Eu me adaptei ao novo método apresentado porque percebi que avancei no meu nível de aprendizado. Sinto falta das aulas presenciais, tenho saudade dos meus amigos, mas não desisti do meu sonho. Por isso sou grata por ter continuado mesmo neste período difícil”, explicou Luísa. Ana Carolina do Nascimento Antônio, é mãe de Luísa Coelho, e concorda com a filha em relação à evolução nas aulas à distância, mesmo quando acreditava que nada iria conseguir substituir o contato presencial. “Com a continuidade das aulas, mesmo em um novo formato, ficou claro o compromisso, o respeito e a responsabilidade do projeto Alma com os alunos. Ficou nítido a qualidade das aulas e percebi que minha filha continuou aprendendo. Com isso amenizou o impacto negativo do isolamento, porque ela se concentrava na música e na rotina de estudos, com a percepção da dedicação e profissionalismo de todos os envolvidos neste processo”, concluiu Ana.

Para Matheus Croscati Maloste, aluno da classe de canto coral da escola Sylvio Torquato Junqueira, de São Joaquim da Barra, o maior desafio neste momento foi aprender a ter mais autonomia em seus estudos longe da escola. “Eu consegui estabelecer uma rotina de aprendizado mesmo à distância. Com a orientação do professor, eu consigo me dedicar ao canto mais de duas horas, todos os dias. Então, estou otimista que neste novo ano também vou conseguir progredir e alcançar um resultado positivo”, finalizou Matheus.

Alexandre Mazzer é professor da classe de canto coral do núcleo 2, em São Joaquim da Barra. Ele considera que o ano de 2020 foi readequado a um novo modelo de ensino. “As conexões, tecnológicas e humanas, foram de extrema importância para que essa nova versão pedagógica funcionasse. Apesar de algumas perdas e dificuldades, todos nós juntos, da classe artística e didática, conseguimos reestruturar e alinhar família, alunos e professores, para que a prática musical não ficasse perdida, e avançamos com desafios superados e alunos motivados a melhorar, mesmo diante de um momento de crise”.

A Alma confirma seu compromisso com a arte e se mostra confiante em relação à evolução da educação, do ensino e do aprendizado, através das mudanças e adaptações necessárias ao momento atual. A academia é uma associação privada sem fins lucrativos, que trabalha com a formação inicial e o aperfeiçoamento de jovens talentos, principalmente na música, cumprindo seu propósito de oferecer excelência artística a alunos de Ribeirão Preto e região. Seus cursos são gratuitos e contam com o apoio de empresas que utilizam leis de incentivo para patrocinarem os projetos.

O Projeto Alma – núcleo 2 – ano 4 foi aprovado no Pronac – Programa Nacional de Apoio à Cultura, do Governo Federal, via Ministério do Turismo – Secretaria Especial da Cultura, com patrocínio da Usina Alta Mogiana S/A.

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