Seu bolso: pesquisa aponta quantos meses cada brasileiro trabalha só para pagar impostos

Trabalhadores com renda mensal de até R$ 3 mil trabalharam até recentemente apenas para pagar tributos; quem ganha mais ainda tem jornada 'a cumprir'

Compare a sua renda e o calendário da liberdade

Que os impostos consomem uma boa parte da nossa renda, todo mundo já sabe. Mas você sabe exatamente quantos meses por ano precisa trabalhar apenas para pagar taxas, impostos, contribuições e afins? Um levantamento do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) dimensiona esse período.

Os valores de impostos representam 40,8% dos rendimentos médios recebidos pelos brasileiros. Dessa forma, para um ribeirão-pretano que recebe até R$ 2 mil por mês, a “jornada” em benefício de prefeituras, estados e União terminou recentemente: dia 29 de maio. Quem um pouco mais, até R$ 3 mil mensais, trabalhou para pagar impostos até o dia 21 de maio. Se você tem rendimento mensal entre os R$ 3 mil e os R$ 10 mil, eu tenho uma má notícia! Você ainda não bateu sua meta, e o trabalho exclusivo para os governos vai até o dia 6 de junho.

Além disso, segundo o IBPT, em um ranking com os 30 países do mundo que têm a maior carga tributária, o Brasil aparece em último lugar com o pior retorno dos valores arrecadados para serviços de qualidade que venham a gerar bem-estar à população.

“Quando os gastos públicos aumentam muito, nós temos que financiar isso através de um aumento na carga tributária. Sempre que houver uma necessidade de aumento de gasto público, teremos um impacto na tributação”, explica o economista Guilherme Malagolli, em uma entrevista concedida ao Grupo Thathi.

Em média, 22% dos preços dos alimentos são impostos, podemos citar como exemplo: o cigarro, que faz parte da vida da maioria dos brasileiros, saiba que você paga aproximadamente 83,32% de imposto. Até aquela caipirinha que você toma no final de semana, você está pagando pelo menos 76,66% de impostos.

“O imposto no Brasil, na maioria deles é cobrado no consumo. Quando se cobra um imposto no consumo está tributando da mesma forma quem tem rendimentos diferentes. Isso acaba provocando um aumento da concentração de renda, porque o impacto é diferente das pessoas de renda da pessoa mais alta, e um impacto muito maior nas pessoas de renda mais baixa “, completa o economista.

Crescendo

Entre os anos de 2003 e 2022, salvo exceções, houve um crescimento percentual do valor distribuído pelos brasileiros para arcar com a tributação sobre rendimentos, consumo e patrimônio. Já em relação ao crescimento dos dias trabalhados, o aumento foi quase que constante.

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