Seis em cada dez empresas de Ribeirão correm risco de fechar as portas em 60 dias, diz Acirp

Cenário é de queda nas receitas, dificuldades na obtenção de crédito e falta de previsão de reabertura; sem reservas, 87% dos empresários não conseguirão pagar despesas familiares dentro de três meses

Ribeirão Preto em vista aérea - Foto: Reprodução Grupo Thathi

Uma pesquisa realizada pela Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), nos dias 14 e 15 de maio, com 306 empresas associadas da entidade, revelou detalhes dos impactos negativos da Covid-19 na economia. O levantamento traz um dado alarmante: 60,4% das empresas correm o risco de fechar suas portas em até 60 dias.

Quando perguntados quanto tempo conseguiriam manter seu negócio com o faturamento atual, 12,7% dos entrevistados afirmaram que já estão encerrando ou encerrarão suas atividades caso o quadro atual perdure. Com a manutenção das atuais condições, 28,4% dos empresários afirmaram que conseguem manter suas empresas por mais 30 dias e 19,3% até 60 dias. Dos entrevistados, apenas 10,5% declararam que o faturamento atual lhes permite manter indefinidamente o funcionamento do seu negócio.

Outro dado revelado pela pesquisa é a queda no faturamento de 90% das empresas. Deste universo, mais da metade (53,9%) teve queda superior a 20% nas receitas. Do total de empresas pesquisadas, 40,2% já sentiu redução superior a 40% no faturamento.

A pesquisa foi realizada pelo Núcleo de Relações Institucionais da Acirp e enviada por e-mail e grupos de Whatsapp às empresas da Base da entidade, que conta com aproximadamente 5,6 mil associados, dos quais cerca de 1,3 mil visualizaram a mensagem e 306 empresas responderam.

Receitas

Foto: Reprodução/Grupo Thathi de Comunicação

Além da queda de receita as empresas enfrentam também a dificuldade de obtenção de crédito para honrar seus compromissos. A pesquisa mostra que dentre as empresas que procuraram instituições financeiras, 58,2% tiveram a solicitação de crédito negada.As principais linhas de financiamento procuradas são relativas a folha de pagamento e fluxo de caixa.

Diante disso, empresas têm postergado e negociado pagamentos. As negociações foram realizadas principalmente com fornecedores, aluguéis e bancos. Já com relação ao pagamento de obrigações, 59% das empresas afirmaram que deixaram de pagar impostos; 22% não pagaram aluguéis; 27% assumiram dívida com fornecedores e 11% não conseguiram pagar em dia os salários.

Presença digital

A pesquisa revelou também que as empresas buscaram diversificar canais de venda e recebimento de pedidos. Os principais meios foram o Whatsapp (utilizado por 82% do total de respondentes), o tradicional telefone (ferramenta de 69,3% das empresas) e as redes sociais (49%). A venda presencial, seguindo as regras sanitárias, foi apontada em 43,1% dos casos. Os piores desempenhos foram com E-Commerce (15,7%) e Marketplace (12,4%).

Também chama atenção o fato de que a maioria das poucas empresas que tiveram aumento de vendas tem forte presença digital, vendendo por e-commerce 14% ou realizando marketing digital. O mesmo acontece com a maioria das empresas que teve menos de 10% de queda nas vendas.

Já como canais de entrega, os respondentes apontaram o atendimento presencial e o delivery próprio como principais ferramentas para seus clientes, com 55,6% (170 respostas) e 48% (149 respostas), respectivamente. Solução para reduz custos com empresas de entregas.

Demissões e negociações

O levantamento reforçou os altos índices de demissões nas empresas consultadas.  Segundo a pesquisa, 39,5%das empresas tiveram que demitir ao menos um trabalhador. A compilação de dados mostrou redução de 9,79% do total de vagas nas empresas em comparação com o período pré-pandemia.

Das empresas pesquisadas, 25,6% do totaltiveram que demitir mais de 30 funcionários. Outras medidas já tomadas ou previstas pelas empresas têm sido a concessão de férias, alternativa encontrada por 48,4% dos entrevistados; reduçãode jornada e salários proporcional, opção de 35,9%; home office parcial, 22,2% e divisão das equipes em turnos, adotada por 7,8%.

Empresários

Outro indicador preocupante é a pequena reserva financeira dos empresários para suas despesas familiares. Problema grave uma vez que os empresários não possuem benefícios como FGTS e Seguro Desemprego.

Dentre os pesquisados, 40,8% apontaram ter recursos para até 30 dias de despesas familiares enquanto 30,1% afirmaram ter condições financeiras para até 60 dias e 17% até 90 dias. Ou seja, daqui a três meses 87,1% dos empresários não conseguirão pagar suas despesas pessoais.

Confira a pesquisa: https://cutt.ly/byTq1AP